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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

FALSO BRILHANTE


Há o condicionamento de que amor mesmo, de verdade, é gastar metade do salário para a esquadrilha da fumaça assinar o nome da namorada pelos céus de Porto Alegre.

Temos uma noção de que amor mesmo, de verdade, é exibicionista. Depende de surpresas públicas de afeto como serenata na janela, carro de som, anúncios na TV, outdoors com pedido de casamento.

Mulheres e homens se desesperam por um amor público, encantado, de estádio cheio, e cobram provas mirabolantes de seus parceiros. Reclamam da rotina, da previsibilidade, e exigem declarações barulhentas para despertar a inveja do próximo.

O amor espalhafatoso recebe a fama, mas o amor contido é o mais profundo.

Ao procurar o amor empresarial, desprezamos o amor funcionário público, que atende às ligações e escreve nossos memorandos.

Ao perseguir o amor de cinema, desdenhamos o amor de teatro, de quem encena a peça todo dia ao nosso lado, sempre com uma interpretação nova a partir das falas iguais.

Ao cobiçar o amor sensual de lareira e restaurante, apagamos a delícia de comer direto nas panelas, sem pratos, sem medo do garçom.

Ao perseguir a aventura, negamos a permanência.

Preocupados em ser reconhecidos mais do que amar, esquecemos a verdade pessoal e despojada do nosso relacionamento. Recusamos o amor constante, o amor cúmplice.

Não valorizamos a passionalidade silenciosa, a passionalidade humilde, a passionalidade generosa, a passionalidade tímida, a passionalidade artesanal.

O passional pode ser discreto na aparência e prático na ternura.

O amor mais contundente é o que não precisa ser visto para existir. E continuará sendo feito apesar de não ser reparado.

O amor real é secreto. É conservar um pouco de amor platônico dentro do amor correspondido. É reservar as gavetas do armário mais acessíveis para as roupas dela, é deixar que sua mulher tome a última fatia da pizza que você mais gosta, é separar as roupas de noite para não acordá-la de manhã. E nunca falar que isso aconteceu. E não jogar na cara qualquer ação. E não se vangloriar das próprias delicadezas.

Buscá-la no trabalho é o equivalente a oferecer um par de brilhantes. Esperá-la com comida pronta é o equivalente a acolhê-la com um buquê de rosas vermelhas.

São demonstrações sutis, que não dá para contar para os outros, mas que contam muito na hora de acordar para enfrentar a vida.


FABRÍCIO CARPINEJAR

Eu não sei
onde eu deixei
ou se alguém veio roubar
aquele sonho que sonhei
já não sei onde andará
Prefiro nem dormir
me esquecer de sonhar

eu quero
quero muito
quero agora
sem demora
o meu desejo
ninguém vai roubar

Não sou escravo de sonho
eu não caio nessa armadilha
ao meu caminho eu que faço
sou eu que traço essa trilha
a minha esperança eu invento
e sigo em movimento
não tem parada pra mim
e não tem lamento
é bom ficar ligada
a vida é tudo ou nada e não tem talvez
vai pedalando a sua lucidez
vai nessa levada
não vai ter uma outra vez

Ninguém vai me dizer
como devo me virar

eu quero
quero muito
quero agora
sem demora
o meu desejo
ninguém vai roubar

Tô no meio da rua
tô querendo viver
tô querendo essa lua
tô querendo você

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Tão estranho a forma de amar


Tão estranho a forma de amar,
amamos e sentimentos ciúmes,
ciúmes bobos, muitas vezes inconvenientes.
Amamos e sentimos medo,
um medo de um dia estar só, de que a pessoa amada siga em viagem sem lhe presentear com uma passagem para o mesmo lugar.
Amamos e sentimos raiva,
raiva de não sermos entendidos, como se a pessoa amada tivesse a obrigação de ter o dom da premonição, e pudesse nos compreender pelo menos naquele momento que mais estamos chateados
Amamos e sentimos muitas vezes rejeição,
pelo simples fato de não ser notado o novo corte de cabelo, a nova roupa, a nova investida.
Amamos e nos tornamos loucos,
loucos pela felicidade a dois, um mundo colorido feito para apaixonados.
Loucos pela vida, como se o hoje fosse um dos dias dos milhões que ainda viveremos.
Tão estranho a forma de amar,
Somos muitos em um só, muitos sentimentos, muitos desejos, muitos planos...
Não quero dominar o amor, quero que o amor nos domine.
Pois amor que é AMOR, é tudo... é certeza, é companhia, é amizade, é paixão, é criança, é eterno.
Tão estranho esta forma de amar,
que me perco até nos versos mais simples de um poema,
pois tem tantas formas de se escrever sobre o amor, algumas simples outras complexas,
mas todas com o mesmo sentido,
que o amor tudo supera.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Tempo é ternura


Viver tem sido adiantar o serviço do dia seguinte. No domingo, já estamos na segunda, na terça já estamos na quarta e sempre um dia a mais do dia que deveríamos viver. Pelo excesso de antecedência, vamos morrer um mês antes.

Está na hora de encarar a folha branca da agenda e não escrever. O costume é marcar o compromisso e depois adiar, que não deixa de ser uma maneira de ainda cumpri-lo.

Tempo é ternura.

Perder tempo é a maior demonstração de afeto. A maior gentileza. Sair daquele aproveitamento máximo de tarefas. Ler um livro para o filho pequeno dormir. Arrumar as gavetas da escrivaninha de sua mulher quando poderia estar fazendo suas coisas. Consertar os aparelhos da cozinha, trocar as pilhas do controle remoto. Preparar um assado de 40 minutos. Usar pratos desnecessários, não economizar esforço, não simplificar, não poupar trabalho, desperdiçar simpatia.

Levar uma manhã para alinhar os quadros, uma tarde para passar um paninho nas capas dos livros e lembrar as obras que você ainda não leu. Experimentar roupas antigas e não colocar nenhuma fora. Produzir sentido da absoluta falta de lógica.

Tempo é ternura.

O tempo sempre foi algoz dos relacionamentos. Convencionou-se explicar que a paixão é biológica, dura apenas dois anos e o resto da convivência é comodismo.

Não é verdade, amor não é intensidade que se extravia na duração.

Somente descobriremos a intensidade se permitirmos durar. Se existe disponibilidade para errar e repetir. Quem repete o erro logo se apaixonará pelo defeito mais do que pelo acerto e buscará acertar o erro mais do que confirmar o acerto. Pois errar duas vezes é talento, acertar uma vez é sorte.

Acima da obsessão de controlar a rotina e os próximos passos, improvisar para permanecer ao lado da esposa. Interromper o que precisamos para despertar novas necessidades.

Intensidade é paciência, é capricho, é não abandonar algo porque não funcionou. É começar a cuidar justamente porque não funcionou.

Casais há mais de três décadas juntos perderam tempo. Criaram mais chances do que os demais. Superaram preconceitos. Perdoaram medos. Dobraram o orgulho ao longo das brigas. Dormiram antes de tomar uma decisão.

Cederam o que tinham de mais precioso: a chance de outras vidas. Dar uma vida a alguém será sempre maior do que qualquer vida imaginada.

Fabricio Carpinejar

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Sou todo saudade...


A saudade é uma separação que inventou o casamento.

Não é reencontrando minha mulher que desfaço o mal-estar de ter estado longe. Ainda que seja uma hora, um dia, uma semana.

Sentir saudade agora é sentir as saudades de minha vida com ela.

Saudade é uma experiência que não termina de terminar.

Com a saudade, não sinto falta dela, mas do que sou com ela.

Saudade é vaidade. Lamento a própria ausência, apesar de parecer preocupado com a ausência dela.

Saudade é o luto do meu pensamento, a morte do meu pensamento. É nunca mais pensar como solteiro; é pensar como casado daqui por diante. Jurarei que minha risada é mais extravagante em sua companhia, de que sou mais elegante em seus ombros, de que o mundo gosta de nos ver abraçados.

Saudade é não se bastar mais, é depender de alguém para continuar sendo. Depender de alguém até para deixar de ser.

Com a saudade, finjo que me preocupo com minha amada, mas é apenas um jeito de me preocupar comigo. Ela não está mais perto para me melhorar, me antecipar.

Não é que posso perdê-la, eu é que posso me perder longe do que já fui com ela.

Saudade é uma soma daquilo que não somos quando o outro se afasta e daquilo que somos quando o outro está junto. É a certeza de nossa insuficiência. Representa um desfalque da personalidade. Passo a me dar conta de que somente existo para me exibir à ela. Isolado, tenho a sensação de engano, de boicote, de que não nasci inteiro, de que não morrerei inteiro. Minhas palavras ficam tímidas; meu rosto, desafinado.

Saudade é imaginar por dois não sendo mais nenhum. É agir solitário no plural.

Não é uma generosidade, mas seu contrário: um profundo egoísmo; não queremos que amada se distancie para que ela não descubra nossa desimportância. No fundo, é o medo de que a nossa companhia não sinta saudade. O receio do fim. A primeira histeria. A primeira crise de nervosismo.

Saudade é uma covardia corajosa, uma ansiedade cheia de paciência, uma preocupação despreocupada. É se ofender elogiando outro, é se elogiar ofendendo o outro.

Saudade é uma antecipação do abandono. Uma despedida provisória que dói igual a um desenlace definitivo. É um aceno que não entrega a mão ao ar, um cumprimento que não fecha os dedos.

A saudade é acordar na sexta como se fosse sábado. É vestir nossa roupa predileta para permanecer em casa. É arrumar a cama para dormir no sofá.

A saudade surge antes da saudade. Definimos dentro do fato qual será a lembrança de que sentiremos saudade. Sentimos saudade no meio da experiência.

Saudade é uma alegria entristecendo.

Porque toda alegria só será definitiva depois da saudade. Depois da tristeza.

sábado, 21 de maio de 2011

X CONGRESSO DE PSICOLOGIA


Quarta – feira, 1º de Junho
Palestrante Tipo Horário Tema
Edna Levy Mini curso 13:30 hrs Sandplay
Luciano José Lopes Mini curso 13:30 hrs Imagens na clínica
Trabalhos - 17:00 hrs Variados
Abertura Solene - 19:00 hrs -


Quinta – feira, 02 de Junho
Palestrante Tipo Horário Tema
Mª Rosa Spinelli Mini curso 13:30 hrs Psicossomática
Andréa Beheregaray Mini Curso 13:30 hrs Diferenças entre as psicopatas, sociopatas, assassinos em série e seu atendimento clínico
Trabalhos 17:00 hrs Variados
Mª Rosa Spinelli Palestra 19:00hrs Identidade Psicológica do Psicólogo Clínico
Taty Ades Palestra 20:40 Homens que amam d+


Sexta – feira, 03 de Junho
Palestrante Tipo Horário Tema
Danuta Pokladek Mini curso 13:30hrs Corpo mais que um organismo- Existência
Mírian Nassar Mini Curso 13:30hrs Psicanálise e Direção Clínica
Trabalhos 17:00hrs Variados
Ênio Brito Pinto Palestra 19:00hrs Psicologia da Religião e espiritualidade – fenômenos vivenciados na clínica


Sábado, 04 de Junho
Palestrante Tipo Horário Tema
Ênio Brito Pinto Mini curso 8:00 hrs Terapia de curta duração


- Haverá um intervalo no meio de cada mini curso e entre as palestras, ambos com coffee break.
- Teremos uma festa de abertura na quarta-feira e uma outra festa, de encerramento, no sábado.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Fazer aniversário é...


Ter a certeza que pelo menos uma vez no ano a nossa vida será vista de maneira diferente;
brincar de crescer e quem sabe mais tarde virar gente;
sorrir sem ter motivo ou chorar pela mesma coisa;
ter de novo a certeza de que os sonhos ainda poderão se realizar
reconhecer ue amigos se importam com a nossa importância;
contar o tempo que se viveu e o que se deixou de viver;
luz na escuridão;
lembrar da vitória de um dia ter sido embrião;
aprender a valorizar o tempo, e tornar novo o que se fez velho;
contar com a presença dos ausentes;
fazer de novo o SEMPRE;
é contar os minutos, as horas, os dias, os meses e anos e muito mais que isso;
Enfim, fazer aniversário é saber que só se nasce uma vez e que por isso a oportunidade de viver é única e isso torna o valor da vida sem valor, porque fazer aniversário é viver sem preço, mas viver feliz ! E com você eu me sinto mais feliz..


E eu também espero que nesta data estajamos felizez e juntos...

;')

LP

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Rouba, acende, ilumina e usa só pra você!



8 Estórias
Ana Carolina
Depois de oito histórias assim poderia estar tranquila,
mas sinto que alguma coisa em mim se transforma.
Giovana me liga ainda.
Laura nem pode me ver.
Pra Claudia eu dançava sozinha até que na pista
conheci a Sofia.
Com Luna só disse mentiras.
Pra Ruana mentia em Espanhol.
Pra Carmem inventei tanta história, nem sei se era
Carmem me foge a memória.

Todas as moças são partes que encontrei em mim.
Riem, e sonham e querem um grande amor totalmente pra
si.
Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu
use a coragem não só pra dizer adeus.

Pensa em mim, em tudo aquilo que ainda sou eu
mentiras, sonhos e perdões que a vida me deu.

Com você me sentia sozinho, com você não sabia
esperar.
Em todas procurava o futuro mas nenhuma poderia me
dar.
Mas todo amor que dentro de mim pode haver,
rouba, acende ilumina me usa só pra vocÊ




Isso é verídico? Nãoo! são 8 estórias e não histórias e até porque você acha que eu fiquei com apenas 8 mulheres até hoje? Mesmo sendo uma música composta com imaginação pra mim, tem um pouco de realidade não só pra mim, mas pra muito jovem, adolescente e adulto também, porque não? Essa busca incansante da mulher perfeito, pras mulheres, o homem perfeito e vice -versa.

Que o amor os encontre, eu encontrei!

domingo, 23 de janeiro de 2011

Dor


Amor deriva de amizade, sendo assim a amizade é e sempre será a essência mesmo que o dia o amor acabe. Amar, é a melhor coisa que já inventaram, mas quando dói sai debaixo, tudo se somatiza e vira dor física.

"
Tá legal
É, e eu faço o quê com a nossa vida genial?
Cê vai viver pra outra vida
E eu fico aqui
Na vida que ficou em minha vida
Tão perto de mim
Tão longe de mim"