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sábado, 30 de março de 2013

O apaixonado...

O apaixonado tem exclusividade. Não se interessa por mais ninguém, nem por ele.

O apaixonado só tem vontade de deitar para o dia correr rápido, mas não dorme.

O apaixonado repete a mesma história. Repetir é uma forma de diminuir a saudade.

O apaixonado finge que trabalha, finge que come, finge que escuta.

O apaixonado não tem mais amigos, apenas cúmplices.

O apaixonado é um refém que pede para ser sequestrado.

O apaixonado suspira como quem beija, beija como quem suspira.

O apaixonado não lê notícias, apenas espera torpedos.
 
Por: Fabrício Carpinejar

sábado, 16 de março de 2013

Sim ou Não?



por: Fabrício Carpinejar
É sim ou não. Serão três letras para o fim ou para o início. Sim ou não?

Não aceito que diga que está cheia de preocupações e que não é o melhor momento

Não peça mais tempo para pensar, tempo não é sabedoria, tempo é adiamento.

Dou tempo para arrumar o cabelo, não dou tempo para arrumar a cabeça.

Não me diga que não tem como me fazer compreender, ou que não pode me fazer esperar.

A despedida é uma aula de desculpas, não revela o que sentimos.

O aceno tem que ser trinco, senão é mero cumprimento. O aceno abre ou fecha portas.

Não venha alegar que sou especial e pretende continuar do jeito que está. A comodidade esvazia a urgência.

É sim ou não. É definir antes a vida que não quer. Só a renúncia valoriza a escolha.

Preciso perguntar. Não tenho saída. Não ter saída é ficar junto.

É sim ou não.

Não serei compreensivo. Acompanhando sua covardia não lhe darei coragem.

Não serei maduro. A pressão é honestidade. A pressão é fidelidade.

Não venha responder que é cedo para tomar decisões. Já é tarde. Sempre é tarde para quem se necessita.

Deve oferecer sua solidão. A solidão da decisão. É sim ou não.

Sim sim. Não não.

O amor é uma conta exata. Com números quebrados. Nada vai fora depois do sim. Tudo se disfarça depois do não.

Sim sim. Não não.

O beijo tem som de sim, o abraço tem som de não, qual dos dois?

Amar é decidir. Amar é decidir mesmo que seja errado. Não há problema em errar, inventaremos o certo.

Não tenho medo de me arrepender, tenho medo de não ouvir o meu desejo pela ânsia de falar. Tenho medo de não deixar meu corpo falar.

É sim ou não. Terá que escolher um lado. Fugir do encaixe da cabeça nos ombros ou me amarrar em tuas pernas.

Sim ou não. É agora. O grande problema é o pânico de responder na hora.

Mas não agir é não me escolher. Não decidir é decidir também. É dizer não fazendo o sim.

Eu espero o sim do sim ou o não do não. A grande certeza para vivermos tranquilamente nossas pequenas dúvidas.

domingo, 3 de março de 2013

Religião e espiritualidade

O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais da Bíblia e de cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para o céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.
A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

René Kivitz, pastor evangélico