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sábado, 28 de janeiro de 2012
"Ninguém vai resolver..."
Sim, estou em lugar lamentável por muitos e majestoso por mim. E não me perguntem o "Porque", "Como", Quando" e "Onde". Simplesmente estou curtindo a minha saborosa fossa e com o consentimento da minha psicoterapeuta.
Entendo sua solidariedade, mas já de antemão eu sei que não poderá me ajudar, apenas torça que eu não esqueça de sair dela.
Estar na fossa, pra quem sabe estar na fossa não é tão ruim quanto parece. Os sentimento mais negativos tornam-se doces, Usamos esses sentimentos até não sobrar mais nenhum e aí sim, poderei regressar de lá. É mais ou menos como a Ana Francisca, psicóloga, disse uma vez em sala de aula. Em terapia, mergulhamos o paciente nas suas questões mais inconvenientes, fazemos ele enxergar os caminhos certos e aí trazemos o paciente de volta que estava em suspensão.Só que este exercício é nós que fazemos.
E aqui vou ficando assim como um zumbi, sem me mexer, sem sentir, sem chorar, sem rir e sem viver. Aqui, da fossa, comunico com vocês. Tudo é muito cinzento, sem explicação, sem respostas, caberá a mim encontrar a renovação em vida. Aqui encontro pessoas que perderam pra morte pessoas queridas, outros perderam pessoas queridas pro desamor, tem de tudo.
Talvez eu saia logo, talvez eu preciso de uma mensagem da minha psicoterapeuta se eu demorar demais. E de lá posso regressar o mesmo, posso regressar com sequelas boas ou ruins, isso só o tempo poderá dizer...
Decepção quase mata, pode ou não ensinar viver, basta querer, vamos ver o que ela reserva pra mim.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Tempo, tempo, tempo, tempo ...

Ás vezes é preciso dar um tempo no amor, nas amizades, na vida. Não é todo dia que você está bem, não é todo dia que você está alegre, não é todo dia que você tem disposição. Não é sempre que as pessoas precisam de você, não é sempre que tudo vai estar bem ao seu redor. Ás vezes, um ‘tempo’ na vida, é o melhor para tudo, é a razão de sua melhora. Viver a cada dia, uns dias bons, outros ruins, mas sempre viver,hoje você está alegre, amanhã você pode estar triste. Ou hoje você está triste a amanhã algo te alegra.
Paradoxos

"Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama..."
(William Shakespeare)
sábado, 21 de janeiro de 2012
A PEDRA ...
O distraído nela tropeçou. O bruto a usou como projétil. O empreendedor, usando-a, construiu. O camponês, cansado, dela fez assento. Para meninos, foi brinquedo. Drummond a poetizou. Já, David matou Golias. Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura. E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Minha cidade são as pessoas

O que faz gostar de uma cidade são as pessoas. A amizade é o ponto turístico que resiste ao tempo.
Minha vontade de conhecer mais as praças, os bares e restaurantes depende de alguém emocionado com sua rotina.
Lugarejos ficam atraentes com o entusiasmo de seus moradores. Nem requer grandes monumentos de Antonio Caringi, façanhas arquitetônicas de Álvaro Siza, desenhos de Oscar Niemeyer, paisagens de Burle Marx, mas o cuidado com as singelezas maravilhosas de seu bairro.
O que me seduz é como o morador desenrola o mapa discreto do seu dia a dia. É quando valoriza as quadras de seu mundo, e tem interesse em mostrar onde é o minimercado em que compra suas urgências, a cafeteria que cura sua ressaca, a floricultura que devolve sua esperança no amor.
O arrebatamento surge mais pela ternura do embrulho do que pelo presente. Papel dobrado com fita reflete o dobro de confiança.
A generosidade torna qualquer local agradável, e repõe a gana de voltar. Carisma de garçons salva restaurantes. Simpatia de manicures salva salões. Paciência de atendentes salva lojas.
Não há maior educação do que a alegria.
Sou influenciável pelos personagens comuns que não se esgotam em acordar cedo e falar bem de seus percursos. Fogem do elogio da lamúria. Retiram milagres das repetições.
Os amigos formam minha cidade. As ruas que passo mereceriam nomes das pessoas que amo. Deveria mudar as placas dos logradouros: nada de políticos e celebridades, mas quem é famoso secretamente em meu silêncio.
Moraria na Rua Cínthya Verri, médica e terapeuta, paralela às ruas Mariana Carpinejar e Vicente Carpinejar, que eu não sei ainda o que eles serão, mas já são tudo como filhos. Os pais, Maria Carpi e Carlos Nejar, teriam direito a duas avenidas do tamanho da Assis Brasil e Ipiranga.
Batizaria o viaduto que me leva ao centro de Mário e Diana Corso, casal de confidentes. Seria Diana para quem chega e Mário para quem parte ao interior do Estado.
O mercado público ganharia a graça de Luiz Ruffato, irmão de prosa que cataloga frases de efeito. Chamaria o teatro de Cíntia Moscovich, a casa noturna de Renato Godá, o shopping de Eduardo Nasi, a Biblioteca Pública de Rosemary Alves, a orquestra de Francesca Romani, a Agência de Correios de Fernanda Seelig. Honraria o Jardim Botânico com um professor fundamental, Luís Augusto Fischer, que me alcançou uma lição preciosa: somos mais inteligentes criando novas dúvidas do que repetindo certezas. Convocaria um colorado, Paulo Scott, para assumir a posteridade do estádio.
Desejaria indicar o crítico Daniel Piza para ser minha rodoviária, espaço em que ocorrem as mais pungentes despedidas. Mas ele morreu na última sexta, aos 41 anos, de AVC. Não dá mais.
Amigo vivo é rua, amigo morto é estrela.
Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente
Carlos Drummond de Andrade
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