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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
ANO QUE VEM
Ano que vem eu faço
Ano que vem eu estudo
Ano que vem eu abraço
Ano que vem eu mudo
Por que não agora?
Ano que vem eu amo
No ano que vem eu não choro
Ano que vem eu sonho
No ano que vem eu não imploro
Porque não agora?
O tempo que vem, do meu alcance está longe
De relance o segundo que vem, é esse que venho
É esse que tenho
É esse que tenho
É a minha chance
Ei, o meu tempo está no fim aqui
Os ponteiros não tem avessos, tão
pouco recomeço
Ei, são 365, juro eu não minto
Não quero esperar o ano que vem
Mas não sei o que será de mim se o
ano passar
E você não passar
E você não ficar
E você não me amar
Ano que vem eu quero
Ano que vem eu busco, te busco
No ano que vem me entrego
No ano que vem eu luto
Por que não agora?
(Cristiano Rabelo)
Por que não agora?
(Cristiano Rabelo)
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Azar no jogo, sorte no amor?
"Ando precisando levar a vida como o 'show do
milhão': arriscar e ganhar tudo, arriscar e perder tudo. E já usei todas
as placas, todos os universitários, todas as cartas e todos os pulos.
Acho que devo parar e me contentar com tudo que já vivi e senti próximo
de ti. Quem sabe após a desistência do jogo, vem a recompensa"CristianoRabelo
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
A MELHOR VINGANÇA
Vingança
é uma arte, o refinamento da carência. Quem procura se vingar do ex ou
da ex, na verdade, não cansou de brigar. Não terminou de argumentar.
Vingança é discutir o relacionamento sozinho, é discutir o
relacionamento à distância, é dedicar o dia inteiro, às vezes a vida
inteira, a arquitetar uma forma de chamar a atenção do amante que negou o
ouvido.
O luto é destinado aos
que amam amar. Vinga-se a pessoa que odeia amar, odeia continuar amando.
É o encontro do mais extremo ódio com o mais extremo amor. A união de
dois terrorismos.
Vinga-se aquele que acredita que deu mais do que recebeu e que se enxerga ludibriado. Aquele que, durante a relação, cobrava em segredo tudo o que oferecia, listava presentes e gestos. A vingança é o juízo final do avarento amoroso.
Indica também prepotência. O vingador se enxerga superior ao vingado, mais experiente e sábio. Acha que está ensinando seu antigo par. Encarna a figura de professor repreendendo o erro do aluno. Assim como não sofre em vão, somente se humilha para humilhar o outro. Todo sofrimento é arrogante, debitado na conta do desafeto.
O vingador cobiça a última palavra pois não aceita que alguém pense o pior dele. Planeja castigar as supostas distorções e intimidar as possíveis confissões de sua intimidade. O vingador vive por hipóteses. Não entendeu que a última palavra não existe, é uma desculpa para mandar.
A vingança é o mais paradoxal dos atos: um sentimento inteligente em mãos burras e desgovernadas; uma pressa que exige longa paciência e dissimulação. Requer as mais contraditórias atitudes: sangue frio de alguém com sangue quente; calar-se apesar da exagerada vontade de falar.
A vingança fracassa pela ânsia de fama do seu autor. Quem busca se vingar pretende que o outro saiba que foi ele, que não tenha nenhuma dúvida. Deseja dar o troco beijando a boca, olhando nos olhos. Conclui que não adianta nada uma vingança sem remetente. E peca pela ambição, erra ao se expor, porque a represália aguda e exitosa esconde o criminoso para a perfeição do crime; deve ser anônima, gerando a desconfiança, mas não entregando totalmente o seu mentor.
Não conheço vingança perfeita. Não se vingar talvez seja a melhor vingança. Fazer esperar uma resposta que nunca virá.
O luto é destinado aos
que amam amar. Vinga-se a pessoa que odeia amar, odeia continuar amando.
É o encontro do mais extremo ódio com o mais extremo amor. A união de
dois terrorismos.Vinga-se aquele que acredita que deu mais do que recebeu e que se enxerga ludibriado. Aquele que, durante a relação, cobrava em segredo tudo o que oferecia, listava presentes e gestos. A vingança é o juízo final do avarento amoroso.
Indica também prepotência. O vingador se enxerga superior ao vingado, mais experiente e sábio. Acha que está ensinando seu antigo par. Encarna a figura de professor repreendendo o erro do aluno. Assim como não sofre em vão, somente se humilha para humilhar o outro. Todo sofrimento é arrogante, debitado na conta do desafeto.
O vingador cobiça a última palavra pois não aceita que alguém pense o pior dele. Planeja castigar as supostas distorções e intimidar as possíveis confissões de sua intimidade. O vingador vive por hipóteses. Não entendeu que a última palavra não existe, é uma desculpa para mandar.
A vingança é o mais paradoxal dos atos: um sentimento inteligente em mãos burras e desgovernadas; uma pressa que exige longa paciência e dissimulação. Requer as mais contraditórias atitudes: sangue frio de alguém com sangue quente; calar-se apesar da exagerada vontade de falar.
A vingança fracassa pela ânsia de fama do seu autor. Quem busca se vingar pretende que o outro saiba que foi ele, que não tenha nenhuma dúvida. Deseja dar o troco beijando a boca, olhando nos olhos. Conclui que não adianta nada uma vingança sem remetente. E peca pela ambição, erra ao se expor, porque a represália aguda e exitosa esconde o criminoso para a perfeição do crime; deve ser anônima, gerando a desconfiança, mas não entregando totalmente o seu mentor.
Não conheço vingança perfeita. Não se vingar talvez seja a melhor vingança. Fazer esperar uma resposta que nunca virá.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
INJUSTIÇA
Não confie na frase de sua avó, de sua mãe, de sua irmã de que um dia encontrará um homem que você merece.
Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.
É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.
O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.
É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.
Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.
FABRÍCIO CARPINEJAR (AI MEU DEUS, AI MEU JESUS)
Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.
É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.
O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.
É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.
Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.
FABRÍCIO CARPINEJAR (AI MEU DEUS, AI MEU JESUS)
sexta-feira, 27 de julho de 2012
HOJE É DIA DE FAXINA
Hoje é dia de faxina
Hoje é dia de lavar o alpendre
Deixar a água escorrer pelo ralo
Até virar a esquina
Hoje é dia de faxina
Hoje é dia de secar os olhos
Dia de estancar com os próprios punhos
A água com sal que desidrata
Mas que também hidrata meus poros
Hoje é dia de faxina
Dia de aspirar o pó do meu quarto
Pó que não me deixar respirar meu descanso
Hoje é dia de faxina
Dia de aspirar a luz,oxigênio
Dia de voltar a realizar fotossíntese
Emanar claridade
Hoje é dia de faxina
Dia de lavar a roupa suja
Se faltar na dispensa
Esfrego no tanque se for preciso.
Hoje é dia de faxina
Pendurar a roupa pra secar
Se de tudo, ainda
ficaram manchas
Vestirei assim mesmo
Por muito tempo já vesti remendos
Dos males, o pior
Hoje é dia de faxina
Dia de encerar o chão de madeira
Renovar o brilho do marrom avermelhado
Camuflar por tempo indeterminado
Princípios de carunchos e do opaco
Hoje é dia faxina
Destruir a obstrução das artérias
Para o melhor pulsar do meu coração
Parar o melhor pulsar da minha vida
Hoje é dia de faxina
Deixar tudo pronto e limpo, um brinco
Para chegar e se adentrar a imundície
Ou não...
CRISTIANO RABELO
CRISTIANO RABELO
sábado, 21 de julho de 2012
Migalhas
[...]" Eu não estou mais cabendo na minha casa, não estou mais cabendo dentro de mim, dentro do meu corpo, dos meus pensamentos, eu perdi minha paz. Eu perdi minha concentração , eu perdi minha calma e eu preciso operar isso e continuar vivendo. Eu preciso saber se estou sozinho ou acompanhado. Preciso saber se é ilusão, delírio, história que eu inventei... [...] Eu queria que você soubesse que mesmo que não de em nada, já valeu! Já valeu a pena por tudo que eu experimentei assim... assim sozinho. Solidão dos meus pensamentos, dos meus desejos. E tudo isso que estou sentindo fica preso assim por um fio de esperança... [...] E é muito bom, mas eu preciso me libertar disso, preciso me livrar dessa angústia que está me matando, mesmo que eu sofra o resto da vida por esse sentimento que tem sido meu bem, mas que também tem sido o meu mal" [...]
Manuel Carlos
Manuel Carlos
domingo, 15 de julho de 2012
TRANSTORNOS E DESORDENS
De uns tempos para cá, é cada vez mais forte a tendência a não se ver o indivíduo como responsável pelos próprios atos. No terreno da ciência social esquerdoide, o sujeito é assaltante porque lhe faltaram oportunidades, não teve educação, vive numa sociedade consumista, foi vítima de bullying e mais quantos indicadores se concebam, em pesquisas cujos resultados são definidos pela própria formulação e, muitas vezes, não passam de manipulações pseudoestatísticas, destituídas de base sólida. Enxergam-se relações de causa e efeito inexistentes, que resistem até mesmo à óbvia verdade de que a ampla maioria dos que enfrentaram e enfrentam essas situações não é de delinquentes.
No terreno da psicanálise de boteco, o sujeito surra mulher e filhos porque foi também surrado, principalmente pela mãe. Ou - pois a psicanálise de boteco tem o condão de adaptar suas explicações e a causa que, num exemplo, surte determinado efeito em outro surte efeito contrário - porque não foi surrado e nem sequer advertido e, assim negligenciado pela mãe, nutre amor e ódio pela figura materna, na qual desconta seus recalques baixando a porrada na santa mãe de seus filhos, os quais também apanham porque dividem as atenções da dita figura materna. Ou qualquer outra especulação asnática, das muitas que volta e meia ainda ouvimos.
Agora, por meio da entusiástica colaboração de cientistas, psiquiatras e, principalmente, fabricantes de drogas psicoativas, vamos ingressar definitivamente na era em que qualquer comportamento ou qualquer emoção serão vistos como uma doença mental, no sentido mais lato do termo. Aliás, pouco se tem usado a expressão "doença mental". O chique agora, que repetimos como papagaios bem ensinados, é "transtorno", "desordem" ou "distúrbio". Sabemos que certamente a maioria dos psiquiatros e das psiquiatras, bem como a maioria dos cientistos e cientistas, embora talvez não a maioria dos fabricantes e fabricantas de drogas, não é constituída de enganadores venais e inescrupulosos, que tomam dinheiro dos fabricantes para promover a vendagem bilionária de remédios. Mas muitos e muitas são (está certo, vou parar com este negócio de flexionar os gêneros de tudo, sei que é chato; mas é só porque quero mostrar como certas coisas enfeiam e aleijam nossa já tão perseguida língua portuguesa) e a bandidagem deles combinada vai de vento em popa.
O número de transtornos e desordens aumenta exponencialmente e já se observou que, anunciado um novo mal, de que antes não havia relato, logo surgem novos "pacientes", gente que agora padece de síndromes também antes nunca descritas. E os males do espírito, digamos, muitas vezes não geram sintomas físicos, ou, se geram, são de difícil definição etiológica, de forma que o diagnóstico vira conceitual e subjetivo: eu acho que você está deprimido porque acho que seu quadro configura o que eu acho que é depressão.
Não há mais preguiça, há transtornos ou desordens de atenção, de motivação, de interação social, de tudo o que se possa imaginar. Não há mais agressividade, rudeza no trato, timidez, temperamento calado, nada disso, só há transtornos e desordens. Quando expira a patente de uma droga, seu fabricante se apressa a criar, novamente com a ardorosa colaboração de cientistas e psiquiatras contratados ou subvencionados generosamente, uma nova doença, a que a mesma droga se aplique, mudando apenas de nome. Emoções antes normais em qualquer ser humano podem facilmente revelar-se transtornos ou desordens, conforme o freguês e a moda psiquiátrica corrente. Não se fica mais triste, fica-se deprimido. Não se fica mais ansioso pela antecipação de alguma coisa, fica-se com distúrbios de ansiedade. E para tudo há uma pílula.
Claro, chegaremos, se já não chegamos e ainda não nos demos conta, ao ponto em que todo indivíduo, se confrontado com um hipotético "padrão normal", será portador de vários transtornos, distúrbios e desordens. Qualquer acontecimento que afete suas emoções, seu estado de ânimo ou mesmo seu bem-estar físico deverá ser objeto de controle medicamentoso. Posso até imaginar que talvez já exista, e no futuro poderá prosperar, a figura do PP, o Personal Psychiatrist, não para receitar ou atender no consultório seu cliente milionário, mas para acompanhá-lo ao longo de todo o dia, ministrando-lhe a droga apropriada para a manifestação de qualquer de seus inúmeros distúrbios.
A infância, com a falsa descoberta de um número alarmante de bebês portadores de transtorno bipolar, passou a ser uma doença. Assim como, com toda a certeza, a puberdade, a adolescência, a jovem maturidade, a meia-idade e a velhice. Tudo doença, é claro, bola nisso tudo, bola em toda a existência, você é que pensa que é sadio, é porque não procurou direito sua doença. E, aliás, sugere a prudência que escolhamos logo nossos transtornos, desordens e distúrbios, porque do contrário poderemos estar sujeitos a que escolham por nós. E ninguém escapará, porque o objetivo é englobar toda a Humanidade.
O problema não é a ciência decretar que, de uma forma ou de outra, somos todos malucos. Isso todo mundo às vezes pensa. O problema é quando decidem qual é a nossa maluquice e nos forçam a uma "normalidade" que não queremos e não temos por que aceitar. A chancela da ciência pode ser adulterada. E não é impossível que, em determinadas situações, divergências com o Estado, ou com grupos de poder, acarretem muito mais que censura às artes e à imprensa. Podemos ser forçados a agir "normalmente" e considerados insanos, se discordarmos da normalidade oficial. Na União Soviética, houve tempo em que quem divergia do Estado era carimbado como doido varrido e encafuado num hospício. Tenho medo de não me encaixar na portaria da Anvisa que defina a normalidade e ser obrigado a tomar um Abestalhol por dia.
por JOÃO UBALDO RIBEIRO
No terreno da psicanálise de boteco, o sujeito surra mulher e filhos porque foi também surrado, principalmente pela mãe. Ou - pois a psicanálise de boteco tem o condão de adaptar suas explicações e a causa que, num exemplo, surte determinado efeito em outro surte efeito contrário - porque não foi surrado e nem sequer advertido e, assim negligenciado pela mãe, nutre amor e ódio pela figura materna, na qual desconta seus recalques baixando a porrada na santa mãe de seus filhos, os quais também apanham porque dividem as atenções da dita figura materna. Ou qualquer outra especulação asnática, das muitas que volta e meia ainda ouvimos.
Agora, por meio da entusiástica colaboração de cientistas, psiquiatras e, principalmente, fabricantes de drogas psicoativas, vamos ingressar definitivamente na era em que qualquer comportamento ou qualquer emoção serão vistos como uma doença mental, no sentido mais lato do termo. Aliás, pouco se tem usado a expressão "doença mental". O chique agora, que repetimos como papagaios bem ensinados, é "transtorno", "desordem" ou "distúrbio". Sabemos que certamente a maioria dos psiquiatros e das psiquiatras, bem como a maioria dos cientistos e cientistas, embora talvez não a maioria dos fabricantes e fabricantas de drogas, não é constituída de enganadores venais e inescrupulosos, que tomam dinheiro dos fabricantes para promover a vendagem bilionária de remédios. Mas muitos e muitas são (está certo, vou parar com este negócio de flexionar os gêneros de tudo, sei que é chato; mas é só porque quero mostrar como certas coisas enfeiam e aleijam nossa já tão perseguida língua portuguesa) e a bandidagem deles combinada vai de vento em popa.
O número de transtornos e desordens aumenta exponencialmente e já se observou que, anunciado um novo mal, de que antes não havia relato, logo surgem novos "pacientes", gente que agora padece de síndromes também antes nunca descritas. E os males do espírito, digamos, muitas vezes não geram sintomas físicos, ou, se geram, são de difícil definição etiológica, de forma que o diagnóstico vira conceitual e subjetivo: eu acho que você está deprimido porque acho que seu quadro configura o que eu acho que é depressão.
Não há mais preguiça, há transtornos ou desordens de atenção, de motivação, de interação social, de tudo o que se possa imaginar. Não há mais agressividade, rudeza no trato, timidez, temperamento calado, nada disso, só há transtornos e desordens. Quando expira a patente de uma droga, seu fabricante se apressa a criar, novamente com a ardorosa colaboração de cientistas e psiquiatras contratados ou subvencionados generosamente, uma nova doença, a que a mesma droga se aplique, mudando apenas de nome. Emoções antes normais em qualquer ser humano podem facilmente revelar-se transtornos ou desordens, conforme o freguês e a moda psiquiátrica corrente. Não se fica mais triste, fica-se deprimido. Não se fica mais ansioso pela antecipação de alguma coisa, fica-se com distúrbios de ansiedade. E para tudo há uma pílula.
Claro, chegaremos, se já não chegamos e ainda não nos demos conta, ao ponto em que todo indivíduo, se confrontado com um hipotético "padrão normal", será portador de vários transtornos, distúrbios e desordens. Qualquer acontecimento que afete suas emoções, seu estado de ânimo ou mesmo seu bem-estar físico deverá ser objeto de controle medicamentoso. Posso até imaginar que talvez já exista, e no futuro poderá prosperar, a figura do PP, o Personal Psychiatrist, não para receitar ou atender no consultório seu cliente milionário, mas para acompanhá-lo ao longo de todo o dia, ministrando-lhe a droga apropriada para a manifestação de qualquer de seus inúmeros distúrbios.
A infância, com a falsa descoberta de um número alarmante de bebês portadores de transtorno bipolar, passou a ser uma doença. Assim como, com toda a certeza, a puberdade, a adolescência, a jovem maturidade, a meia-idade e a velhice. Tudo doença, é claro, bola nisso tudo, bola em toda a existência, você é que pensa que é sadio, é porque não procurou direito sua doença. E, aliás, sugere a prudência que escolhamos logo nossos transtornos, desordens e distúrbios, porque do contrário poderemos estar sujeitos a que escolham por nós. E ninguém escapará, porque o objetivo é englobar toda a Humanidade.
O problema não é a ciência decretar que, de uma forma ou de outra, somos todos malucos. Isso todo mundo às vezes pensa. O problema é quando decidem qual é a nossa maluquice e nos forçam a uma "normalidade" que não queremos e não temos por que aceitar. A chancela da ciência pode ser adulterada. E não é impossível que, em determinadas situações, divergências com o Estado, ou com grupos de poder, acarretem muito mais que censura às artes e à imprensa. Podemos ser forçados a agir "normalmente" e considerados insanos, se discordarmos da normalidade oficial. Na União Soviética, houve tempo em que quem divergia do Estado era carimbado como doido varrido e encafuado num hospício. Tenho medo de não me encaixar na portaria da Anvisa que defina a normalidade e ser obrigado a tomar um Abestalhol por dia.
por JOÃO UBALDO RIBEIRO
segunda-feira, 9 de julho de 2012
TROFÉU EXISTENCIAL
Certos sentimentos ruins
Escolhemos [in]conscientemente [re]viver
E desfilar com eles por aí
Como um troféu
Com uma boa pitada de histeria a lá Freudiana
To escolhendo reviver
To escolhendo ressentir
To escolhendo angustiar-me
To escolhendo sofrer
Há um gozo aí que eu ainda não encontrei
Mas quero reencontrar a paz de junho...
Se assim for, Estarei feliz.
Deus meu, se eu não encontrar o gozo na mágoa
Resgata-me antes que eu me afogue
Ná agua
Na lágrima
Na bagunça
Nas minhas defesas mecânicas
"Você me bagunça, tumultua todo o meu ser" OTM
Cristiano Rabelo
Escolhemos [in]conscientemente [re]viver
E desfilar com eles por aí
Como um troféu
Com uma boa pitada de histeria a lá Freudiana
To escolhendo reviver
To escolhendo ressentir
To escolhendo angustiar-me
To escolhendo sofrer
Há um gozo aí que eu ainda não encontrei
Mas quero reencontrar a paz de junho...
Se assim for, Estarei feliz.
Deus meu, se eu não encontrar o gozo na mágoa
Resgata-me antes que eu me afogue
Ná agua
Na lágrima
Na bagunça
Nas minhas defesas mecânicas
"Você me bagunça, tumultua todo o meu ser" OTM
Cristiano Rabelo
sábado, 30 de junho de 2012
MELHOR AMIGO, MELHORES AMIGOS!
Lendo um dos textos boníssimos de Fabrício Carpinejar com um tema tão simples e escrito tão bem eu tiro minhas conclusões. Ter um melhor amigo talvez não seja uma coisa tão positiva, digamos assim. Sem querer querendo ou querendo por querer a gente acaba subestimando a amizade do outro que pra você não é tão amigo assim quanto o teu melhor amigo. Penso comigo que seja uma maldade daquelas bem inoportuna sair falando aos quatro ventos que um é mais do que outro. E mesmo que tenha um melhor amigo, que deixe subentendido, em outras palavras, em 'off'. Há muito tempo atrás na minha tenra infância, já pensei assim. Diferente daqueles que tinham 'o melhor amigo', eu queria ser o 'melhor amigo' de um ou outro. E tinha consciência do quão humilhante era esse comportamento. Precisei de anos pra assimilar que tenho meus valores, que tenho minha autenticidade e que não preciso implorar 'grau de importância' na vida dos meus amigos.
Por isso que amigo que é amigo, não equipara grau de afinidade, de proximidade e muito menos colocação em um pódium. Amigo simplesmente reconhece o quanto é especial pelo que você é e o que cativa. Penso como deve ser dolorido você ter um amigo e este mesmo chegar até você e dizer que o fulano é melhor que você mesmo que seja sem a intenção consciente de magoar. Pra começo de conversa, a palavra 'amigo' se banalizou tanto, hoje em dia qualquer um é amigo, basta ver na realidade das redes sociais. E digo mais,pra ser chamado de amigo, a característica "melhor", "especial" e "importante" já deve vir incluso no pacote. Portanto, encerro esse pensamento dizendo que todos meus amigos que tenho são especiais, cada um na sua particularidade. E não vou fazer menção aqui a nenhum deles, pra não acontecer de eu esquecer de alguém e eu mesmo desmentir o que eu acabo de escrever aqui,porque minha memória anda muito falha. Até porque, todos que são meus amigos sabem o quanto são especiais sem eu precisar falar. Isso sim é amizade
Amigos, os MELHORES , eu tenho!
Cristiano Rabelo
sexta-feira, 22 de junho de 2012
Estreito
Amor é muito bom
Amar é melhor
Enaltece
Me faz inautêntico
E não me enobrece
E isso não é amar
Preenche uma falta sem gozo
Me esvazio em prol do objeto
Meu pote de gel se finda
Minha íris não cansa de doer
Disritmia
O mesmo refil do perfume
Já esgotei
Já preenchi
Já senti
Já sentiram
Amar é isso
Hemácias em comunhão
Em artérias estreitas
Rumo ao coração
Assim como o corredor estreito
Que me estreita a você!
Cristiano Rabelo
Amar é melhor
Enaltece
Me faz inautêntico
E não me enobrece
E isso não é amarPreenche uma falta sem gozo
Me esvazio em prol do objeto
Meu pote de gel se finda
Minha íris não cansa de doer
Disritmia
O mesmo refil do perfume
Já esgotei
Já preenchi
Já senti
Já sentiram
Amar é isso
Hemácias em comunhão
Em artérias estreitas
Rumo ao coração
Assim como o corredor estreito
Que me estreita a você!
Cristiano Rabelo
domingo, 17 de junho de 2012
A FALTA
A falta
Minha mãe me introduziu no campo do desejo
Mas não me deu o objeto pra que eu desejasse
Eu que tive que correr atrás
Eis que me deparo com o amor
Aquele responsável por meu cérebro funcionar porcentos mais lento
Aquele também responsável também por me fazer sofrer mais rápido
O amor que nos deixa idiota
Crianças
Sem ar
Eis que me esvazio novamente em prol do investimento desse novo objeto
Reciprocidade?
Reconhecimento?
Esse é um outro capítulo que deixo para os compositores da falta cantar
Ana
Roberto
Marisa
Lenine
Maria
Jota
...
Cristiano Rabelo
Minha mãe me introduziu no campo do desejo
Mas não me deu o objeto pra que eu desejasse
Eu que tive que correr atrás
Eis que me deparo com o amor
Aquele responsável por meu cérebro funcionar porcentos mais lento
Aquele também responsável também por me fazer sofrer mais rápido
O amor que nos deixa idiota
Crianças
Sem ar
Eis que me esvazio novamente em prol do investimento desse novo objeto
Reciprocidade?
Reconhecimento?
Esse é um outro capítulo que deixo para os compositores da falta cantar
Ana
Roberto
Marisa
Lenine
Maria
Jota
...
Cristiano Rabelo
sexta-feira, 8 de junho de 2012
Arte que liberta
A minha tendência atualizante (Rogers), anda fluindo de vento em poupa.O Ensaio de cores de Ana Carolina e o Centro de Convivência vem me mostrando há mais de 2 anos que a arte pode ir muito além do que vejo e ouço, ou seja, a beleza de fato, está nos olhos de quem vê.
Não desmerecendo as imagens prontas das telas, mas as mesmas, limitam a imaginação. Você observa apenas uma vezz e já está de bom tamanho.
Hoje, negligenciar com as cores num papel sem se preocupar com a beleza estética realçam mais minha satisfação, meu desejo, minha viagem, minha imaginação ...
Então nunca perguntem ao artista qual o significado da obra abstrata, assim como também não perguntem da onde vem a inspiração da composição de tal musica, é difícil explicar... Imaginem uma voz falando ao pé do seu ouvido, é o grande OUTRO falando pro seu outrinho (Lacan). Assim como as músicas por encomenda são tão difíceis quanto explicar também, pois vem tudo sob pressão.
Cristiano Rabelo
Não desmerecendo as imagens prontas das telas, mas as mesmas, limitam a imaginação. Você observa apenas uma vezz e já está de bom tamanho.
Hoje, negligenciar com as cores num papel sem se preocupar com a beleza estética realçam mais minha satisfação, meu desejo, minha viagem, minha imaginação ...
Então nunca perguntem ao artista qual o significado da obra abstrata, assim como também não perguntem da onde vem a inspiração da composição de tal musica, é difícil explicar... Imaginem uma voz falando ao pé do seu ouvido, é o grande OUTRO falando pro seu outrinho (Lacan). Assim como as músicas por encomenda são tão difíceis quanto explicar também, pois vem tudo sob pressão.
Cristiano Rabelo
domingo, 3 de junho de 2012
Desapego de um recorte objetal
Na timidez de uma escolha corro meus olhos pela multidão, procurando alguém que me complete e que esbalde meu coração. E quando encontro, e quando eu escolho e me entrego, os meus cinco sentidos modelam ao seu contorno, ao seu som, à sua fragrância, ao seu gosto e aos seus olhos.
Amar é talvez isso mesmo. As pessoas em volta são surdas sombras,mudas sombras, acromáticas sombras e assimétricas sombras. Com o tempo, a gente percebe ao longe as curvas, o cheiro, o gosto de quem amamos e nos estagnamos a elas.Qualquer ruído, gosto, semblante, cheiro ou curva que não seja de quem gostamos, o corpo da gente rejeita. O corpo se imuniza das sombras.
Isso é tão bonito e ao mesmo tão perigoso. Não podemos descartar a idéia se um dia esse amor se findar, pois quando acontecer e se acontecer, ficaremos ao léu, ao relento,a sós. E na tentativa de encontrar alguém que nos volte a completar buscaremos por muito tempo alguém com o cheiro do outro, o toque do outro, os olhos do outro,o som do outro, a respiração do outro, o pensamento do outro, o coração a pulsar do outro. E isso é tão frustrante pra nós, é tão ofensivo pro outro.
A gente recorta um objeto de modo a nos satisfazer, de modo a nos fazer suspirar por horas extras. Mas não devemos esquecer que este recorte possui cadeias de DNA que nenhum outro corpo recortado obterá. Devemos condicionar nosso ser pulsante a saber reconhecer os valores e qualidades de cada objeto sem comparativos. Nada mais é que um trabalho de dissociação e de discernimento. Mas quem disse que é fácil? Na busca de um objeto que recortei há anos, eu posso levar choque, eu posso me decepcionar, eu posso sofrer e posso transferir a esse objeto toda esse insucesso.
Cada um é amado por aquilo que cativa, é unico, é autêntico e ninguém mais terá igual aquilo que você tem ! Que saibamos recortar nossos objetos de amor não apenas de modo que nos satisfaça, mas que também satisfaça o outro. É um treino pra vida toda e árduo.
Lentamente, quase parando estou tentando e não sei se quero conseguir
Cristiano Rabelo
Amar é talvez isso mesmo. As pessoas em volta são surdas sombras,mudas sombras, acromáticas sombras e assimétricas sombras. Com o tempo, a gente percebe ao longe as curvas, o cheiro, o gosto de quem amamos e nos estagnamos a elas.Qualquer ruído, gosto, semblante, cheiro ou curva que não seja de quem gostamos, o corpo da gente rejeita. O corpo se imuniza das sombras.
Isso é tão bonito e ao mesmo tão perigoso. Não podemos descartar a idéia se um dia esse amor se findar, pois quando acontecer e se acontecer, ficaremos ao léu, ao relento,a sós. E na tentativa de encontrar alguém que nos volte a completar buscaremos por muito tempo alguém com o cheiro do outro, o toque do outro, os olhos do outro,o som do outro, a respiração do outro, o pensamento do outro, o coração a pulsar do outro. E isso é tão frustrante pra nós, é tão ofensivo pro outro.
A gente recorta um objeto de modo a nos satisfazer, de modo a nos fazer suspirar por horas extras. Mas não devemos esquecer que este recorte possui cadeias de DNA que nenhum outro corpo recortado obterá. Devemos condicionar nosso ser pulsante a saber reconhecer os valores e qualidades de cada objeto sem comparativos. Nada mais é que um trabalho de dissociação e de discernimento. Mas quem disse que é fácil? Na busca de um objeto que recortei há anos, eu posso levar choque, eu posso me decepcionar, eu posso sofrer e posso transferir a esse objeto toda esse insucesso.
Cada um é amado por aquilo que cativa, é unico, é autêntico e ninguém mais terá igual aquilo que você tem ! Que saibamos recortar nossos objetos de amor não apenas de modo que nos satisfaça, mas que também satisfaça o outro. É um treino pra vida toda e árduo.
Lentamente, quase parando estou tentando e não sei se quero conseguir
Cristiano Rabelo
segunda-feira, 30 de abril de 2012
XI Congresso de Psicologia - Alfenas/UNIFENAS
Programação do XI Congresso de Psicologia – UNIFENAS - Alfenas
Preliminar e sem apresentações de trabalhos
DIA 28/05 - segunda-feira
19h Abertura do congresso na biblioteca central do campus Alfenas – salão Azul
... A seguir: Coquetel de abertura – Local a ser indicado na Abertura.
DIA 29/05 - terça-feira
19h Palestra com: Miriam Junqueira Nassar
Tema: "De que lugar opera o analista?"
21h Palestra com: Lélio Moura Lourenço
Tema: "Ansiedade Social - Fobia social - na pesquisa contemporânea e na prática clínica cognitiva”.
DIA 30/05 - quarta-feira
19h Palestra com: Andréa de Miranda Rocha de Mello
Tema: "Saúde Mental: Uma visão contemporânea no ambiente familiar, no convívio social entre amigos e nos relacionamentos pessoais e no trabalho.”
21h palestra com Ricardo Ibanhez
Tema: Empreendedorismo e a Psicologia
DIA 31/05 - quinta-feira
19h00min – Palestra com: José Luis Montejano
Tema: Psicologia positiva: A Ciência da Felicidade
21h00min Palestra com Marcos Vinícius Furtado
Tema: A homeopatia e a medicina psicossomática
DIA 01/06 - sexta-feira
17h palestra com Nádia Guarda Nunes
Tema: Psicologia Analítica e Saúde Mental: O legado de Jung e Nise da Silveira
19h Mesa redonda – Psicanálise e Saúde Mental
Convidados: Mateus Dias, Roberta Ecleide, Valdene Amâncio
Preliminar e sem apresentações de trabalhos
DIA 28/05 - segunda-feira
19h Abertura do congresso na biblioteca central do campus Alfenas – salão Azul
... A seguir: Coquetel de abertura – Local a ser indicado na Abertura.
DIA 29/05 - terça-feira
19h Palestra com: Miriam Junqueira Nassar
Tema: "De que lugar opera o analista?"
21h Palestra com: Lélio Moura Lourenço
Tema: "Ansiedade Social - Fobia social - na pesquisa contemporânea e na prática clínica cognitiva”.
DIA 30/05 - quarta-feira
19h Palestra com: Andréa de Miranda Rocha de Mello
Tema: "Saúde Mental: Uma visão contemporânea no ambiente familiar, no convívio social entre amigos e nos relacionamentos pessoais e no trabalho.”
21h palestra com Ricardo Ibanhez
Tema: Empreendedorismo e a Psicologia
DIA 31/05 - quinta-feira
19h00min – Palestra com: José Luis Montejano
Tema: Psicologia positiva: A Ciência da Felicidade
21h00min Palestra com Marcos Vinícius Furtado
Tema: A homeopatia e a medicina psicossomática
DIA 01/06 - sexta-feira
17h palestra com Nádia Guarda Nunes
Tema: Psicologia Analítica e Saúde Mental: O legado de Jung e Nise da Silveira
19h Mesa redonda – Psicanálise e Saúde Mental
Convidados: Mateus Dias, Roberta Ecleide, Valdene Amâncio
quarta-feira, 25 de abril de 2012
A síndrome dos vinte e tantos
A chamam de ‘crise do quarto de vida’.Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..
E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um po...uco.
As multidões já não são ‘tão divertidas’. ..
E as vezes até lhe incomodam.
E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal.
Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar.
Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, nao esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a).
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.
Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos…
Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!
FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NÃO PASSE!"
domingo, 1 de abril de 2012
Como é o estraga- prazer
O
estraga-prazer não é um chato (o chato é uma profissão, tem registro e
sindicato).
O estraga-prazer é um momento, amigo ou um familiar que se torna inconveniente e acaba com nossa alegria. Alguém do nosso convívio que foi tomado de inveja e ciúme. E muda de lado, entra no lado negro da força.
- O estraga-prazer é o colega que assistiu, de longe, sua maratona para seduzir uma guria e chega perto no momento do beijo. Não segura a vela, mas o extintor de incêndio.
- O estraga-prazer não anuncia o final do filme, trata de revelar o final errado do filme, só para vê-lo sofrer à toa.
- O estraga-prazer desliga na sua cara e mente que caiu a ligação.
- O estraga-prazer pode ser o balconista ou um bancário: na hora em que você será atendido, ele avisa que você errou de fila e que agora só amanhã.
- O estraga-prazer espera você contar uma piada até a metade, para dizer que já conhecia.
- O estraga-prazer aniquila com sua festa de aniversário: bebe demais, tira a camisa para dançar, fala besteira.
- O estraga-prazer é o pai avisando ao filho que passará o final de semana fora, mas surge um dia antes, na hora em que o adolescente transa com a namorada na sala.
- O estraga-prazer é o marido corno que tenta fazer surpresa para a mulher. E aparece sem avisar, na maior falta de educação, e descobre o amante usando sua cama.
- O estraga-prazer é o filho grosseiro do seu namorado que pretende terminar com a relação linda de vocês porque sofre com a separação dos pais.
- O estraga-prazer é o terapeuta dando alta bem no instante que você começava a gostar da terapia.
- O estraga-prazer é seu time levando gol no último minuto, quando você já saiu do estádio.
- O estraga-prazer é sua ex confessando que nunca gozou com você.
- O estraga-prazer é sua mãe confessando que desejava uma menina.
- O estraga-prazer é seu adversário justificando que deixou você ganhar.
Olhe bem para os lados, o estraga-prazer é um infiltrado, um padre sem batina, um general sem farda. Cuidado, ele está entre nós.
domingo, 11 de março de 2012
AÍ TEM ...
As coisas são como são. Se alguém diz que está calmo, é porque está calmo. Se alguém diz que te ama, é porque te ama. Se alguém diz que não vai poder sair à noite porque precisa estudar, está explicado. Mas a gente não escuta só as palavras: a gente ouve também os sinais.
Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: "O que é que está havendo?". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.
Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: "Que alegria é essa?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.
Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.
Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?
É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem.
Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava frio como um iglu. Você falava, falava, e ele quieto, monossilábico. Até que você o coloca contra a parede: "O que é que está havendo?". "Nada, tô na minha, só isso." Só isso???? Aí tem.
Ele telefonou na hora que disse que ia ligar, mas estava exaltado demais. Não parava de tagarelar. Um entusiasmo fora do comum. Você pergunta à queima-roupa: "Que alegria é essa?" "Ué, tô feliz, só isso". Só isso????? Aí tem.
Os tais sinais. Ansiedade fora de hora, mudez estranha, olhar perdido, mudança no jeito de se vestir, olheiras e bocejos de quem dormiu pouco à noite: aí tem. Somos doutoras em traduzir gestos, silêncios e atitudes incomuns. Se ele está calado demais, é porque está pensando na melhor maneira de nos dar uma má notícia. Se está esfuziante demais, é porque andou rolando novidades que você não está sabendo. Se ele está carinhoso demais, é porque não quer que você perceba que está com a cabeça em outra. Se manda flores, é porque está querendo que a gente facilite alguma coisa pra ele. Se vai viajar com os amigos, é porque não nos ama mais. Se parou de fumar, é uma promessa que ele não contou pra você. Enfim, o cara não pode respirar diferente que aí tem.
Às vezes não tem. O cara pode estar calado porque leu um troço que mexeu com ele, ou está falando muito porque o time dele venceu. Pode estar mais carinhoso porque conversou sobre isso na terapia e pode estar mais produzido porque teve um aumento de salário. Por que tudo o que eles fazem tem que ser um recado pra gente?
É uma generalização, mas as mulheres costumam ser mais inseguras que os homens no quesito relacionamento. Qualquer mudança de rota nos deixa em estado de alerta, qualquer outra mulher que cruze o caminho dele pode ser uma concorrente, qualquer rispidez não justificada pode ser um cartão amarelo. O que ele diz importa menos do que sua conduta. Pobres homens. Se não estão babando por nós, se tiram o dia para meditar ou para assistir um jogo de vôlei na tevê sem avisar com duas semanas de antecedência, danou-se: aí tem.
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
Mecanismos de defesa ameaçados
Quando a boca cala.... o
corpo fala!!!
Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico.
Este alerta está colocado na porta de um espaço terapêutico.
- O resfriado
escorre quando o corpo não chora.- A dor de garganta entope quando não é possível comunicar as aflições.
- O estômago arde quando as raivas não conseguem sair.
- O diabetes invade quando a solidão dói.
- O corpo engorda quando a insatisfação aperta.
- A dor de cabeça deprime quando as duvidas aumentam.
- O coração desiste quando o sentido da vida parece terminar.
- A alergia aparece quando o perfeccionismo fica intolerável.
- As unhas quebram quando as defesas ficam ameaçadas.
- O peito aperta quando o orgulho escraviza.
- A pressão sobe quando o medo aprisiona.
- As neuroses paralisam quando a criança interna tiraniza.
- A febre esquenta quando as defesas detonam as fronteiras da imunidade...
sábado, 18 de fevereiro de 2012
A última corda
Existiu um grande violinista chamado Paganini. Alguns diziam que ele era muito estranho. Outros, que era um instrumentista fenomenal.
A verdade é que as notas que saiam de seu violino tinham um som diferente, mágico; por isso ninguém queria perder a chance de assistir a um espetáculo seu.
Certa noite, no palco de um auditório que estava repleto de admiradores para recebê-lo, Paganini surge, triunfante, e o público delira.
Ele, então, coloca o instrumento no ombro e o que vem a seguir é indescritível. As notas parecem ter asas e voar ao toque daqueles dedos mágicos, por assim dizer.
De repente, um som estranho interrompe o devaneio da platéia. Uma das cordas do violino arrebenta. O maestro pára. A orquestra pára. O público pára. Mas Paganini não pára.
Olhando para a partitura, continua a tirar sons maravilhosos do violino quebrado. A orquestra, empolgada, volta a tocar.
De repente, um som perturbador distrai novamente a atenção do público. Uma outra corda se rompe. Todos param novamente, menos Paganini.
Como se nada tivesse acontecido, ele esquece as dificuldades e avança, tirando sons do impossível. O maestro e a orquestra ficam impressionados, mas o público não pode imaginar o que pode acontecer em seguida.
Todos na platéia, pasmos, gritam Ooohhh ! O som ecoa pela abóboda do auditório e uma terceira corda do violino se quebra.
O maestro pára novamente. A orquestra pára. A respiração do público pára. E outra vez Paganini não pára.
Como um contorcionista, ele tira todos os sons da única corda que sobrara do instrumento destruído. Nenhuma nota é esquecida.
Empolgado, o maestro se anima. A orquestra se motiva. O público parte do silêncio para a euforia, da inércia para o delírio. É a glória de Paganini.
Seu nome corre através dos tempos.
Ele não é apenas um violinista genial.
É o símbolo do profissional que avança diante do impossível !
Moral: Não importa o tipo de problema que o aflige. Pode ser pessoal, familiar, ou qualquer outra coisa que esteja afetando sua auto estima ou seu desempenho profissional. Tenha, entretanto certeza de uma coisa: nem tudo está perdido. Sempre haverá uma corda, e é se valendo dela que você exercerá seu talento. Tocando nela é que irá vibrar. Aprenda que a vida sempre lhe deixará uma última corda. Quando sentir desânimo, não desista. Ainda haverá a corda da persistência, do “tentar mais uma vez”, e a opção de dar um passo a mais com um novo enfoque
sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Onde estarão vocês em 2022? e em 2040?
Há mais ou menos dois meses atrás eu comentava a última missa de 2011 e que tinha por motivo especial o aniversário de existência do Grupo de Jovens A.M.E.M e também o 40º aniversário da formatura de algumas professoras formadas no antigo colégio/faculdade Nossa Senhora do Carmo. Mais próximo do fim da celebração houve uma homenagem pra elas e pro A.M.E.M. Algumas se abraçaram, algumas delas me ensinaram as primeiras "continhas" e as primeiras silabas. Aquilo pra mim foi tão emocionante e assim não pude conter as lágrimas, eis que passou um filme na minha cabeça.
Agora questiono com os leitores e amigos pejoteiros: Alguém se deu conta da raridade que aconteceu nessa missa? Não? Rever amigos e ser amigos após 40 anos é muito chão! É muito valioso! É de suma importância!
A cada final de semana que vamos na missa, na sorveteria, nos encontros, nos retiros ou na serra, eu registro com meus olhos o rosto de cada um de vocês com câmera fotográfica ou uma filmadora no modo "movimento lento", na tentativa de fazer o tempo passar mais devagar quando estou com vocês, mas acaba sendo tão bom, que quando me dou por mim, já passou!
Seria muito bom se cada um pudesse se propor a não nos deixar perder no tempo e nos comunicar apesar das nossas obrigações do dia-a-dia e quem sabe puder nos encontrar daqui a quarenta anos também e relembrar tudo e visitar de novo as salas onde se realizava os encontros e assim deixar escorrer uma lágrima mista de alegria e saudade.
Isto vale pra todos meus amigos fora da PJ, na faculdade, de rua, todos... !
Que nós possamos administrar nosso tempo a nosso favor!
Agora questiono com os leitores e amigos pejoteiros: Alguém se deu conta da raridade que aconteceu nessa missa? Não? Rever amigos e ser amigos após 40 anos é muito chão! É muito valioso! É de suma importância!
A cada final de semana que vamos na missa, na sorveteria, nos encontros, nos retiros ou na serra, eu registro com meus olhos o rosto de cada um de vocês com câmera fotográfica ou uma filmadora no modo "movimento lento", na tentativa de fazer o tempo passar mais devagar quando estou com vocês, mas acaba sendo tão bom, que quando me dou por mim, já passou!
Seria muito bom se cada um pudesse se propor a não nos deixar perder no tempo e nos comunicar apesar das nossas obrigações do dia-a-dia e quem sabe puder nos encontrar daqui a quarenta anos também e relembrar tudo e visitar de novo as salas onde se realizava os encontros e assim deixar escorrer uma lágrima mista de alegria e saudade.
Isto vale pra todos meus amigos fora da PJ, na faculdade, de rua, todos... !
Que nós possamos administrar nosso tempo a nosso favor!
sábado, 28 de janeiro de 2012
"Ninguém vai resolver..."
Sim, estou em lugar lamentável por muitos e majestoso por mim. E não me perguntem o "Porque", "Como", Quando" e "Onde". Simplesmente estou curtindo a minha saborosa fossa e com o consentimento da minha psicoterapeuta.
Entendo sua solidariedade, mas já de antemão eu sei que não poderá me ajudar, apenas torça que eu não esqueça de sair dela.
Estar na fossa, pra quem sabe estar na fossa não é tão ruim quanto parece. Os sentimento mais negativos tornam-se doces, Usamos esses sentimentos até não sobrar mais nenhum e aí sim, poderei regressar de lá. É mais ou menos como a Ana Francisca, psicóloga, disse uma vez em sala de aula. Em terapia, mergulhamos o paciente nas suas questões mais inconvenientes, fazemos ele enxergar os caminhos certos e aí trazemos o paciente de volta que estava em suspensão.Só que este exercício é nós que fazemos.
E aqui vou ficando assim como um zumbi, sem me mexer, sem sentir, sem chorar, sem rir e sem viver. Aqui, da fossa, comunico com vocês. Tudo é muito cinzento, sem explicação, sem respostas, caberá a mim encontrar a renovação em vida. Aqui encontro pessoas que perderam pra morte pessoas queridas, outros perderam pessoas queridas pro desamor, tem de tudo.
Talvez eu saia logo, talvez eu preciso de uma mensagem da minha psicoterapeuta se eu demorar demais. E de lá posso regressar o mesmo, posso regressar com sequelas boas ou ruins, isso só o tempo poderá dizer...
Decepção quase mata, pode ou não ensinar viver, basta querer, vamos ver o que ela reserva pra mim.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Tempo, tempo, tempo, tempo ...

Ás vezes é preciso dar um tempo no amor, nas amizades, na vida. Não é todo dia que você está bem, não é todo dia que você está alegre, não é todo dia que você tem disposição. Não é sempre que as pessoas precisam de você, não é sempre que tudo vai estar bem ao seu redor. Ás vezes, um ‘tempo’ na vida, é o melhor para tudo, é a razão de sua melhora. Viver a cada dia, uns dias bons, outros ruins, mas sempre viver,hoje você está alegre, amanhã você pode estar triste. Ou hoje você está triste a amanhã algo te alegra.
Paradoxos

"Você diz que ama a chuva, mas você abre seu guarda-chuva quando chove. Você diz que ama o sol, mas você procura um ponto de sombra quando o sol brilha. Você diz que ama o vento, mas você fecha as janelas quando o vento sopra. É por isso que eu tenho medo. Você também diz que me ama..."
(William Shakespeare)
sábado, 21 de janeiro de 2012
A PEDRA ...
O distraído nela tropeçou. O bruto a usou como projétil. O empreendedor, usando-a, construiu. O camponês, cansado, dela fez assento. Para meninos, foi brinquedo. Drummond a poetizou. Já, David matou Golias. Michelangelo extraiu-lhe a mais bela escultura. E em todos esses casos, a diferença não esteve na pedra, mas no homem! Não existe "pedra" no seu caminho que você não possa aproveitá-la para o seu próprio crescimento.
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Minha cidade são as pessoas

O que faz gostar de uma cidade são as pessoas. A amizade é o ponto turístico que resiste ao tempo.
Minha vontade de conhecer mais as praças, os bares e restaurantes depende de alguém emocionado com sua rotina.
Lugarejos ficam atraentes com o entusiasmo de seus moradores. Nem requer grandes monumentos de Antonio Caringi, façanhas arquitetônicas de Álvaro Siza, desenhos de Oscar Niemeyer, paisagens de Burle Marx, mas o cuidado com as singelezas maravilhosas de seu bairro.
O que me seduz é como o morador desenrola o mapa discreto do seu dia a dia. É quando valoriza as quadras de seu mundo, e tem interesse em mostrar onde é o minimercado em que compra suas urgências, a cafeteria que cura sua ressaca, a floricultura que devolve sua esperança no amor.
O arrebatamento surge mais pela ternura do embrulho do que pelo presente. Papel dobrado com fita reflete o dobro de confiança.
A generosidade torna qualquer local agradável, e repõe a gana de voltar. Carisma de garçons salva restaurantes. Simpatia de manicures salva salões. Paciência de atendentes salva lojas.
Não há maior educação do que a alegria.
Sou influenciável pelos personagens comuns que não se esgotam em acordar cedo e falar bem de seus percursos. Fogem do elogio da lamúria. Retiram milagres das repetições.
Os amigos formam minha cidade. As ruas que passo mereceriam nomes das pessoas que amo. Deveria mudar as placas dos logradouros: nada de políticos e celebridades, mas quem é famoso secretamente em meu silêncio.
Moraria na Rua Cínthya Verri, médica e terapeuta, paralela às ruas Mariana Carpinejar e Vicente Carpinejar, que eu não sei ainda o que eles serão, mas já são tudo como filhos. Os pais, Maria Carpi e Carlos Nejar, teriam direito a duas avenidas do tamanho da Assis Brasil e Ipiranga.
Batizaria o viaduto que me leva ao centro de Mário e Diana Corso, casal de confidentes. Seria Diana para quem chega e Mário para quem parte ao interior do Estado.
O mercado público ganharia a graça de Luiz Ruffato, irmão de prosa que cataloga frases de efeito. Chamaria o teatro de Cíntia Moscovich, a casa noturna de Renato Godá, o shopping de Eduardo Nasi, a Biblioteca Pública de Rosemary Alves, a orquestra de Francesca Romani, a Agência de Correios de Fernanda Seelig. Honraria o Jardim Botânico com um professor fundamental, Luís Augusto Fischer, que me alcançou uma lição preciosa: somos mais inteligentes criando novas dúvidas do que repetindo certezas. Convocaria um colorado, Paulo Scott, para assumir a posteridade do estádio.
Desejaria indicar o crítico Daniel Piza para ser minha rodoviária, espaço em que ocorrem as mais pungentes despedidas. Mas ele morreu na última sexta, aos 41 anos, de AVC. Não dá mais.
Amigo vivo é rua, amigo morto é estrela.
Cortar o tempo

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez, com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente
Carlos Drummond de Andrade
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