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sexta-feira, 22 de junho de 2012

Estreito

Amor é muito bom
Amar é melhor
Enaltece
Me faz inautêntico
E não me enobrece
E isso não é amar
Preenche uma falta sem gozo
Me esvazio em prol do objeto
Meu pote de gel se finda
Minha íris não cansa de doer
Disritmia
O mesmo refil do perfume
Já esgotei
Já preenchi
Já senti
Já sentiram
Amar é isso
Hemácias em comunhão
Em artérias estreitas
Rumo ao coração
Assim como o corredor estreito
Que me estreita a você!

Cristiano Rabelo

domingo, 17 de junho de 2012

A FALTA

A falta

Minha mãe me introduziu no campo do desejo
Mas não me deu o objeto pra que eu desejasse
Eu que tive que correr atrás
Eis que me deparo com o amor
Aquele responsável por meu cérebro funcionar porcentos mais lento
Aquele também responsável também por me fazer sofrer mais rápido

O amor que nos deixa idiota
Crianças
Sem ar
Eis que me esvazio novamente em prol do investimento desse novo objeto
Reciprocidade?
Reconhecimento?

Esse é um outro capítulo que deixo para os compositores da falta cantar

Ana
Roberto
Marisa
Lenine
Maria
Jota
...


Cristiano Rabelo

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Arte que liberta

A minha tendência atualizante (Rogers), anda fluindo de vento em poupa.O Ensaio de cores de Ana Carolina e o Centro de Convivência vem me mostrando há mais de 2 anos que a arte pode ir muito além do que vejo e ouço, ou seja, a beleza de fato, está nos olhos de quem vê.
Não desmerecendo as imagens prontas das telas, mas as mesmas, limitam a imaginação. Você observa apenas uma vezz e já está de bom tamanho.
Hoje, negligenciar com as cores num papel sem se preocupar com a beleza estética realçam mais minha satisfação, meu desejo, minha viagem, minha imaginação ...
Então nunca perguntem ao artista qual o significado da obra abstrata, assim como também não perguntem da onde vem a inspiração da composição de tal musica, é difícil explicar... Imaginem uma voz falando ao pé do seu ouvido, é o grande OUTRO falando pro seu outrinho (Lacan). Assim como as músicas por encomenda são tão difíceis quanto explicar também, pois vem tudo sob pressão.

Cristiano Rabelo

domingo, 3 de junho de 2012

Desapego de um recorte objetal

Na timidez de uma escolha corro meus olhos pela multidão, procurando alguém que me complete e que esbalde meu coração. E quando encontro, e quando eu escolho e me entrego, os meus cinco sentidos modelam ao seu contorno, ao seu som, à sua fragrância, ao seu gosto e aos seus olhos.
Amar é talvez isso mesmo. As pessoas em volta são surdas sombras,mudas sombras, acromáticas sombras e assimétricas sombras. Com o tempo, a gente percebe ao longe as curvas, o cheiro, o gosto de quem amamos e nos estagnamos a elas.Qualquer ruído, gosto, semblante, cheiro ou curva que não seja de quem gostamos, o corpo da gente rejeita. O corpo se imuniza das sombras.
Isso é tão bonito e ao mesmo tão perigoso. Não podemos descartar a idéia se um dia esse amor se findar, pois quando acontecer e se acontecer, ficaremos ao léu, ao relento,a sós. E na tentativa de encontrar alguém que nos volte a completar buscaremos por muito tempo alguém com o cheiro do outro, o toque do outro, os olhos do outro,o som do outro, a respiração do outro, o pensamento do outro, o coração a pulsar do outro. E isso é tão frustrante pra nós, é tão ofensivo pro outro.
A gente recorta um objeto de modo a nos satisfazer, de modo a nos fazer suspirar por horas extras. Mas não devemos esquecer que este recorte possui cadeias de DNA que nenhum outro corpo recortado obterá. Devemos condicionar nosso ser pulsante a saber reconhecer os valores e qualidades de cada objeto sem comparativos. Nada mais é que um trabalho de dissociação e de discernimento. Mas quem disse que é fácil? Na busca de um objeto que recortei há anos, eu posso levar choque, eu posso me decepcionar, eu posso sofrer e posso transferir a esse objeto toda esse insucesso.

Cada um é amado por aquilo que cativa, é unico, é autêntico e ninguém mais terá igual aquilo que você tem ! Que saibamos recortar nossos objetos de amor não apenas de modo que nos satisfaça, mas que também satisfaça o outro. É um treino pra vida toda e árduo.
Lentamente, quase parando estou tentando e não sei se quero conseguir

Cristiano Rabelo

segunda-feira, 30 de abril de 2012

XI Congresso de Psicologia - Alfenas/UNIFENAS


Programação do XI Congresso de Psicologia – UNIFENAS - Alfenas
Preliminar e sem apresentações de trabalhos

DIA 28/05 - segunda-feira
19h Abertura do congresso na biblioteca central do campus Alfenas – salão Azul
... A seguir: Coquetel de abertura – Local a ser indicado na Abertura.

DIA 29/05 - terça-feira
19h Palestra com: Miriam Junqueira Nassar
Tema: "De que lugar opera o analista?"

21h Palestra com: Lélio Moura Lourenço
Tema: "Ansiedade Social - Fobia social - na pesquisa contemporânea e na prática clínica cognitiva”.

DIA 30/05 - quarta-feira

19h Palestra com: Andréa de Miranda Rocha de Mello
Tema: "Saúde Mental: Uma visão contemporânea no ambiente familiar, no convívio social entre amigos e nos relacionamentos pessoais e no trabalho.”

21h palestra com Ricardo Ibanhez
Tema: Empreendedorismo e a Psicologia

DIA 31/05 - quinta-feira
19h00min – Palestra com: José Luis Montejano
Tema: Psicologia positiva: A Ciência da Felicidade

21h00min Palestra com Marcos Vinícius Furtado
Tema: A homeopatia e a medicina psicossomática

DIA 01/06 - sexta-feira
17h palestra com Nádia Guarda Nunes
Tema: Psicologia Analítica e Saúde Mental: O legado de Jung e Nise da Silveira

19h Mesa redonda – Psicanálise e Saúde Mental
Convidados: Mateus Dias, Roberta Ecleide, Valdene Amâncio

quarta-feira, 25 de abril de 2012

A síndrome dos vinte e tantos




A chamam de ‘crise do quarto de vida’.
Você começa a se dar conta de que seu círculo de amigos é menor do que há alguns anos.
Se dá conta de que é cada vez mais difícil vê-los e organizar horários por diferentes questões: trabalho, estudo, namorado(a) etc..
E cada vez desfruta mais dessa cervejinha que serve como desculpa para conversar um po...uco.
As multidões já não são ‘tão divertidas’. ..
E as vezes até lhe incomodam.

E você estranha o bem-bom da escola, dos grupos, de socializar com as mesmas pessoas de forma constante.
Mas começa a se dar conta de que enquanto alguns eram verdadeiros amigos, outros não eram tão especiais depois de tudo.
Você começa a perceber que algumas pessoas são egoístas e que, talvez, esses amigos que você acreditava serem próximos não são exatamente as melhores pessoas que conheceu e que o pessoal com quem perdeu contato são os amigos mais importantes para você.
Ri com mais vontade, mas chora com menos lágrimas e mais dor.
Partem seu coração e você se pergunta como essa pessoa que amou tanto pôde lhe fazer tanto mal.
Ou, talvez, a noite você se lembre e se pergunte por que não pode conhecer alguém o suficiente interessante para querer conhecê-lo melhor.
Parece que todos que você conhece já estão namorando há anos e alguns começam a se casar.
Talvez você também, realmente, ame alguém, mas, simplesmente, não tem certeza se está preparado (a) para se comprometer pelo resto da vida.
Os rolês e encontros de uma noite começam a parecer baratos e ficar bêbado(a) e agir como um(a) idiota começa a parecer, realmente, estúpido.
Sair três vezes por final de semana lhe deixa esgotado(a) e significa muito dinheiro para seu pequeno salário.
Olha para o seu trabalho e, talvez, nao esteja nem perto do que pensava que estaria fazendo. Ou, talvez, esteja procurando algum trabalho e pensa que tem que começar de baixo e isso lhe dá um pouco de medo.
Dia a dia, você trata de começar a se entender, sobre o que quer e o que não quer.
Suas opiniões se tornam mais fortes.
Vê o que os outros estão fazendo e se encontra julgando um pouco mais do que o normal, porque, de repente, você tem certos laços em sua vida e adiciona coisas a sua lista do que é aceitável e do que não é.
Às vezes, você se sente genial e invencível, outras… Apenas com medo e confuso (a).
De repente, você trata de se obstinar ao passado, mas se dá conta de que o passado se distancia mais e que não há outra opção a não ser continuar avançando.
Você se preocupa com o futuro, empréstimos, dinheiro… E com construir uma vida para você.
E enquanto ganhar a carreira seria grandioso, você não queria estar competindo nela.
O que, talvez, você não se dê conta, é que todos que estamos lendo esse textos nos identificamos com ele. Todos nós que temos ‘vinte e tantos’ e gostaríamos de voltar aos 15-16 algumas vezes.
Parece ser um lugar instável, um caminho de passagem, uma bagunça na cabeça… Mas TODOS dizem que é a melhor época de nossas vidas e não temos que deixar de aproveitá-la por causa dos nossos medos…
Dizem que esses tempos são o cimento do nosso futuro.
Parece que foi ontem que tínhamos 16…
Então, amanha teremos 30?!?! Assim tão rápido?!?!
FAÇAMOS VALER NOSSO TEMPO… QUE ELE NÃO PASSE!"

domingo, 1 de abril de 2012

Como é o estraga- prazer


O estraga-prazer não é um chato (o chato é uma profissão, tem registro e sindicato).

O estraga-prazer é um momento, amigo ou um familiar que se torna inconveniente e acaba com nossa alegria. Alguém do nosso convívio que foi tomado de inveja e ciúme. E muda de lado, entra no lado negro da força.

- O estraga-prazer é o colega que assistiu, de longe, sua maratona para seduzir uma guria e chega perto no momento do beijo. Não segura a vela, mas o extintor de incêndio.

- O estraga-prazer não anuncia o final do filme, trata de revelar o final errado do filme, só para vê-lo sofrer à toa.

- O estraga-prazer desliga na sua cara e mente que caiu a ligação.

- O estraga-prazer pode ser o balconista ou um bancário: na hora em que você será atendido, ele avisa que você errou de fila e que agora só amanhã.

- O estraga-prazer espera você contar uma piada até a metade, para dizer que já conhecia.

- O estraga-prazer aniquila com sua festa de aniversário: bebe demais, tira a camisa para dançar, fala besteira.

- O estraga-prazer é o pai avisando ao filho que passará o final de semana fora, mas surge um dia antes, na hora em que o adolescente transa com a namorada na sala.

- O estraga-prazer é o marido corno que tenta fazer surpresa para a mulher. E aparece sem avisar, na maior falta de educação, e descobre o amante usando sua cama.

- O estraga-prazer é o filho grosseiro do seu namorado que pretende terminar com a relação linda de vocês porque sofre com a separação dos pais.

- O estraga-prazer é o terapeuta dando alta bem no instante que você começava a gostar da terapia.

- O estraga-prazer é seu time levando gol no último minuto, quando você já saiu do estádio.

- O estraga-prazer é sua ex confessando que nunca gozou com você.

- O estraga-prazer é sua mãe confessando que desejava uma menina.

- O estraga-prazer é seu adversário justificando que deixou você ganhar.

Olhe bem para os lados, o estraga-prazer é um infiltrado, um padre sem batina, um general sem farda. Cuidado, ele está entre nós.