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domingo, 3 de março de 2013

Religião e espiritualidade

O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais da Bíblia e de cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para o céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.
A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.

René Kivitz, pastor evangélico

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Salve Jovens



Livremente inspirado no texto base da Campanha da Fraternidade 2013 e nas homenagens oferecidas aos jovens que morreram tragicamente na cidade de Santa Maria/RS.


Salvem os jovens que levam uma vida desregrada por não conhecerem a palavra de Deus.
Salvem os jovens universitários da mídia torpe que visitam suas moradias no momento que festejam e são percebidos como baderneiros.
Salvem os jovens que tem sua vida interrompida pela negligência de pessoas mal instruídas.
Salvem os jovens das drogas que roubam sua verdade, sua autonomia e sua realidade.
Salvem os jovens da opressão que rouba seu propósito de vida, seus ideais e sua determinação.
Salvem os jovens das cotas que subestimam sua sabedoria e intelectualidade.
Salvem os jovens que assistem com terror sua família acabar por falta de amor, compreensão e companheirismo.
Salvem os jovens que desistem de viver arruinados pela depressão.
Salvem os jovens dos rótulos impostos pela sociedade pelo sotaque que usam, pela comunidade onde moram e pela cor de pele que possuem.
Salvem os jovens que abandonam a casa dos pais e a Casa de Deus.
Salvem os jovens do sistema de educação que aprisiona e que não ensina questionar ofuscando seu saber.
Salvem os jovens da violência física, verbal e moral.
Salvem os jovens que tem a vida perdida pela bala perdida.
Salvem os jovens que tem o corpo vendido e seus valores esquecidos.
Salvem os jovens que confundem liberdade com libertinagem.
Salvem os jovens que tem a mente corrompida pela mídia deturpadora.
Salvem os jovens que se abdicam de responsabilidade e das tomadas de decisões.
Salvem os jovens que optam por uma vida pródiga e inconseqüente.
Salve os jovens de tudo e todos que os influenciam a se afastarem do amor de Jesus.
Cristiano Rabelo Marques

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

O GRITO


Não sei o que está acontecendo comigo, diz a paciente para o psiquiatra.
Ela sabe.
Não sei se gosto mesmo da minha namorada, diz um amigo para outro.
Ele sabe.
Não sei se quero continuar com a vida que tenho, pensamos em silêncio.
Sabemos, sim.
Sabemos tudo o que sentimos porque algo dentro de nós grita. Tentamos abafar esse grito com conversas tolas, elucubrações, esoterismo, leituras dinâmicas, namoros virtuais, mas não importa o método que iremos utilizar para procurar uma verdade que se encaixe em nossos planos: será infrutífero. A verdade já está dentro, a verdade se impõe, fala mais alto que nós, ela grita.
Sabemos se amamos ou não alguém, mesmo que esteja escrito que é um amor que não serve, que nos rejeita, um amor que não vai resultar em nada. Costumamos desviar esse amor para outro amor, um amor aceitável, fácil, sereno. Podemos dar todas as provas ao mundo de que não amamos uma pessoa e amamos outra, mas sabemos, lá dentro, quem é que está no controle.
A verdade grita. Provoca febre, salta aos olhos, desenvolve úlceras. Nosso corpo é a casa da verdade, lá de dentro vêm todas as informações que passarão por uma triagem particular: algumas verdades a gente deixa sair, outras a gente aprisiona e finge esquecer. Mas há uma verdade única : ninguém tem dúvida sobre si mesmo.
Podemos passar anos nos dedicando a um emprego sabendo que ele não nos trará recompensa emocional. Podemos conviver com uma pessoa mesmo sabendo que ela não merece confiança. Fazemos essas escolhas por serem as mais sensatas ou práticas, mas nem sempre elas estão de acordo com os gritos de dentro, aquelas vozes que dizem: vá por este caminho, se preferir, mas você nasceu para o caminho oposto. Até mesmo a felicidade, tão propagada, pode ser uma opção contrária ao que intimamente desejamos. Você cumpre o ritual todinho, faz tudo como o esperado, e é feliz, puxa, como é feliz.
E o grito lá dentro: mas você não queria ser feliz, queria viver!
Eu não sei se teria coragem de jogar tudo para o alto.
Sabe.
Eu não sei por que sou assim.
Sabe."

Martha Medeiros

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Não desistam de viver


A vontade é de abandonar o trabalho, não acordar mais, definhar abraçado ao travesseiro, encolher-se no canto e não erguer nem mais o braço para atender a porta e pedir ajuda.

Nada tem mais sentido, e ordem.

A vontade é de não ter mais vontade.

Os filhos morreram, os irmãos morreram, os colegas morreram.

Eu entendo.

Entendo que vocês levantarão, sobressaltados, às duas horas de todas as madrugadas de suas existências, que haverá sempre uma sirene abrindo as ruas do sangue, que será insuportável raciocinar diante de um alarme dos bombeiros ou de ambulância lá fora.

Entendo que a casa está vazia, como a cidade está vazia, como o corpo está vazio.

Mas não podemos chorar a morte dos familiares se não valorizarmos nossa vida.

Entendo que não será mais a vida idealizada, não será mais a vida planejada, não será mais a vida que merecíamos.

Mas ainda que seja uma vida desesperada, uma vida atormentada, uma vida traumatizada, ainda é a nossa vida.

Ainda é a vida que ficou.

Ainda a vida que temos que cuidar.

Ainda é a vida que temos que salvar.

Afinal, nossa vida era tudo o que a gente pretendia assegurar para eles que se foram na boate Kiss.

Gostaríamos que os duzentos e trinta e sete jovens estivessem com a gente, então não podemos nos jogar fora. Não podemos esnobar a chance de estar aqui.

Continuar a viver é preservá-los.

Continuar a viver é sabedoria.

Continuar a viver é fé.

Continuar a viver é humildade.

Continuar a viver é respeito: é não ser mais vítima do que as vítimas, por mais que doa doer o dia inteiro.

É imperioso cortar o cordão umbilical da Rua dos Andradas, abolir as hipóteses: se eu tivesse proibido meu filho de sair, se eu tivesse viajado com a família, se eu tivesse telefonado antes, se eu tivesse sido mais rigoroso...

O “se” não devolve o que perdemos, nem diminui o sofrimento.

A culpa não deve abafar a justiça, o medo não deve sufocar a esperança.

Não há como controlar o destino. A tragédia não aconteceu porque vocês falharam. Vocês, familiares, não teriam como evitá-la.

O que sobra é amar a si para explicar o que é amor, para explicar o que é saudade.

O que nos resta é a responsabilidade de lembrá-los com garra. De lavar as escadarias das igrejas com flores. De ir adiante para que esse incêndio criminoso nunca mais se repita em nenhum lugar do mundo deste Brasil.

Que nossos filhos de Santa Maria jamais morram para a História.


(Fabrício Carpinejar)

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

domingo, 11 de novembro de 2012

ANO QUE VEM




Ano que vem eu faço
Ano que vem eu estudo
Ano que vem eu abraço
Ano que  vem eu mudo
Por que não agora?

Ano que vem eu amo
No ano que vem eu não choro
Ano que vem eu sonho
No ano que vem eu não imploro
Porque não agora?

O tempo que vem, do meu alcance está longe
De relance o segundo que vem, é esse que venho
É esse que tenho
É a minha chance

Ei, o meu tempo está no fim aqui
Os ponteiros não tem avessos, tão pouco recomeço
Ei, são 365, juro eu não minto
Não quero esperar o ano que vem
Mas não sei o que será de mim se o ano passar
E  você não passar
E você não ficar
E você não me amar

Ano que vem eu quero
Ano que vem eu busco, te busco
No ano que vem me entrego
No ano que vem eu luto
Por que não agora? 

(Cristiano Rabelo)

terça-feira, 9 de outubro de 2012

Azar no jogo, sorte no amor?

"Ando precisando levar a vida como o 'show do milhão': arriscar e ganhar tudo, arriscar e perder tudo. E já usei todas as placas, todos os universitários, todas as cartas e todos os pulos. Acho que devo parar e me contentar com tudo que já vivi e senti próximo de ti. Quem sabe após a desistência do jogo, vem a recompensa"

CristianoRabelo