A privação cria um cavalheiro.
A renúncia prepara românticos.
O egoísta jamais será educado. O narcisista jamais será educado. O megalomaníaco jamais será educado.
...
A virtude masculina consiste em ser o segundo, em vir depois, em não priorizar os próprios luxos.
Quem procura se beneficiar antes não será um macho de verdade. Sempre vai abandonar ou fugir de um romance.
Amor é ter altivez dentro da humildade. É ceder sem medo de existir.
Homem que nunca lavou louça não saberá o que é se cortar no amor. O homem que nunca cozinhou não saberá o que é se queimar no amor. Homem que nunca passou roupa não saberá o que é rasgar uma promessa.
Só podemos oferecer o que somos. Só podemos imaginar o que um dia tentamos.
Nas pequenas tarefas, surgem os grandes maridos. Não subestime a epopeia da banalidade.
É difícil ser gentil. A gentileza é uma coragem, um refinamento da experiência. Árduo quem não depende do medo para ajudar, quem oferece o que tem antes que alguém precise.
O heroísmo amoroso começa na adolescência. Exatamente quando o jovem dormirá pela primeira vez com a namorada em seu quarto e decide juntar duas camas de solteiro.
Ali nasce a delicadeza no rosto barbudo. Ali germina a sutileza na feição baldia.
A cena fundadora do lirismo viril reside no momento em que o homem abandona o posto de filho, de dependente, e assume a independência de cuidar do outro.
Não há nada mais comovente do que um garoto que adormece no meio da madeira para permitir que sua amada durma no canto acolchoado.
É um gesto carinhoso de fazer e não falar. De zelar e não cobrar na manhã seguinte.
Diria que é neste instante que o adolescente se torna adulto.
Ele disfarça a dificuldade material com seu gesto, contorna sua pobreza com ternura.
Não está se destacando nem aparecendo. De modo inédito, mergulha na sombra, conhece o valor da retaguarda, sofre calado para não vê-la sofrer.
Com seu corpo, cobre o descompasso, o desnível, a divisão entre os dois colchões.
Não reclama da frieza da brecha, não lamenta as dores nas costas.
O que valoriza é estar junto, respirando perto, soprando os sonhos para o mesmo lado.
Um homem se mostra sensível quando não pensa somente nele, e passa a levantar de sua nudez uma ponte dos suspiros dela.
Fabrício Carpinejar
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quarta-feira, 5 de junho de 2013
Canção pra Ti
CANÇÃO PRA TI
Ana Carolina / Moreno Veloso / Carlos Rennó
Por te querer de cara e coracão
Preciso te fazer uma canção
Que seja bela, que se possa amar
Como um golaço, um passe de Neymar
Como um passo do Grupo Corpo no ar
... O cello de Jaques Morelenbaum
A rima e o ritmo de Mano Brown
Em cada frase, estrofe e no refrão
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que tenha algo em excesso ou algo excelso
Como uma peça, um ato de Zé Celso
Como um poema de Augusto de Campos
Ou como um rock de Arnaldo Antunes
Que toque nos ipods e no i tunes
E tenha graça como o Zé Simão
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que valha o investimento de neurônios
Como o cimento de Antonio Ermírio
Como um cenário de HelioEichbauer;
De verso-power, como um pau ereto
Um pensamento de Antonio Cícero
O dicionário de Antônio Houaiss
E acenda em ti o sol no coração
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que revele um requinte em mots et son
Como um desfile de Gisele Bundchen
Como uma foto de Bob Wolfenson
Como o gênio de Rogério Duarte
Como um ensaio de Risério, Antonio
Mistura de mistério e clarão
Preciso te fazer essa canção?
Que luza qual poema em raio laser
Como a ciência de Marcelo Gleiser
O axé de Mãe Carmen do Gantois
O fôlego e a yoga de Iyengar
E a palavra chave de Kikuchi
Que um outro escute com muita atenção
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que alegre e que comova no seu auge
Como o cinema de Pedro Almodóvar
Como a Tanztheater de Pina Bausch
Como a chegada da Estação Primeira
Como a saída do Ilê Ayê
E um querer que não acaba, não
Será que eu sou capaz de tal canção?
Na qual não haja nada fosco ou tosco
Como um artigo de Francisco Bosco
Como uma estampa de Alberto Pitta
Como uma atuação de João Miguel
E uma edição de Luiz Schwarcz
Do todo com as partes na relação
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que seja foda, aguda, fina, chique
Como um livro de Miguel Wisnik
E a moda na São Paulo Fashion Week
E fique no youtube e se remixe
E passe como tudo mas se fixe
Eu te quero tanto, com tanta paixão
Que é capaz de eu ser capaz de tal canção?
Ana Carolina / Moreno Veloso / Carlos Rennó
Por te querer de cara e coracão
Preciso te fazer uma canção
Que seja bela, que se possa amar
Como um golaço, um passe de Neymar
Como um passo do Grupo Corpo no ar
... O cello de Jaques Morelenbaum
A rima e o ritmo de Mano Brown
Em cada frase, estrofe e no refrão
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que tenha algo em excesso ou algo excelso
Como uma peça, um ato de Zé Celso
Como um poema de Augusto de Campos
Ou como um rock de Arnaldo Antunes
Que toque nos ipods e no i tunes
E tenha graça como o Zé Simão
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que valha o investimento de neurônios
Como o cimento de Antonio Ermírio
Como um cenário de HelioEichbauer;
De verso-power, como um pau ereto
Um pensamento de Antonio Cícero
O dicionário de Antônio Houaiss
E acenda em ti o sol no coração
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que revele um requinte em mots et son
Como um desfile de Gisele Bundchen
Como uma foto de Bob Wolfenson
Como o gênio de Rogério Duarte
Como um ensaio de Risério, Antonio
Mistura de mistério e clarão
Preciso te fazer essa canção?
Que luza qual poema em raio laser
Como a ciência de Marcelo Gleiser
O axé de Mãe Carmen do Gantois
O fôlego e a yoga de Iyengar
E a palavra chave de Kikuchi
Que um outro escute com muita atenção
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que alegre e que comova no seu auge
Como o cinema de Pedro Almodóvar
Como a Tanztheater de Pina Bausch
Como a chegada da Estação Primeira
Como a saída do Ilê Ayê
E um querer que não acaba, não
Será que eu sou capaz de tal canção?
Na qual não haja nada fosco ou tosco
Como um artigo de Francisco Bosco
Como uma estampa de Alberto Pitta
Como uma atuação de João Miguel
E uma edição de Luiz Schwarcz
Do todo com as partes na relação
Será que eu sou capaz de tal canção?
Que seja foda, aguda, fina, chique
Como um livro de Miguel Wisnik
E a moda na São Paulo Fashion Week
E fique no youtube e se remixe
E passe como tudo mas se fixe
Eu te quero tanto, com tanta paixão
Que é capaz de eu ser capaz de tal canção?
segunda-feira, 20 de maio de 2013
O QUE É?
por: Cristiano Rabelo
É uma vaidade desenhada
Uma beleza recortada
A atenção que conforta
A música que discursa
O cambalear que me atenta
O andar que me sustenta
O falar que introduz
O combustível que me conduz
A ignição que interrompeu
O vermelho que excita
O des-carregar que exercita
O jogo de livre partida
A entrelinhas que não se desvenda
O tempo que eu penso
A melodia que eu canto
A nota convertida em pranto
A saliva em que eu me afogo
Teu sabor que ainda não provo
Teu repouso que contemplo
Teu porte em que me acho
Tão compacto que me encaixa
Teu descanso que me cansa
O sorriso dos seus olhos
O acorde que me acorda
E também a soberba que me enfurece
Mas tudo faz parte, faz desejo, faz amor...
sábado, 30 de março de 2013
O apaixonado...
O apaixonado tem exclusividade. Não se interessa por mais ninguém, nem por ele.
O apaixonado só tem vontade de deitar para o dia correr rápido, mas não dorme.
O apaixonado repete a mesma história. Repetir é uma forma de diminuir a saudade.
O apaixonado finge que trabalha, finge que come, finge que escuta.
O apaixonado não tem mais amigos, apenas cúmplices.
O apaixonado é um refém que pede para ser sequestrado.
O apaixonado suspira como quem beija, beija como quem suspira.
O apaixonado não lê notícias, apenas espera torpedos.
Por: Fabrício Carpinejar
sábado, 16 de março de 2013
Sim ou Não?
por: Fabrício Carpinejar
É sim ou não. Serão três letras para o fim ou para o início. Sim ou não?
Não aceito que diga que está cheia de preocupações e que não é o melhor momento
Não peça mais tempo para pensar, tempo não é sabedoria, tempo é adiamento.
Dou tempo para arrumar o cabelo, não dou tempo para arrumar a cabeça.
Não me diga que não tem como me fazer compreender, ou que não pode me fazer esperar.
A despedida é uma aula de desculpas, não revela o que sentimos.
O aceno tem que ser trinco, senão é mero cumprimento. O aceno abre ou fecha portas.
Não venha alegar que sou especial e pretende continuar do jeito que está. A comodidade esvazia a urgência.
É sim ou não. É definir antes a vida que não quer. Só a renúncia valoriza a escolha.
Preciso perguntar. Não tenho saída. Não ter saída é ficar junto.
É sim ou não.
Não serei compreensivo. Acompanhando sua covardia não lhe darei coragem.
Não serei maduro. A pressão é honestidade. A pressão é fidelidade.
Não venha responder que é cedo para tomar decisões. Já é tarde. Sempre é tarde para quem se necessita.
Deve oferecer sua solidão. A solidão da decisão. É sim ou não.
Sim sim. Não não.
O amor é uma conta exata. Com números quebrados. Nada vai fora depois do sim. Tudo se disfarça depois do não.
Sim sim. Não não.
O beijo tem som de sim, o abraço tem som de não, qual dos dois?
Amar é decidir. Amar é decidir mesmo que seja errado. Não há problema em errar, inventaremos o certo.
Não tenho medo de me arrepender, tenho medo de não ouvir o meu desejo
pela ânsia de falar. Tenho medo de não deixar meu corpo falar.
É sim ou não. Terá que escolher um lado. Fugir do encaixe da cabeça nos ombros ou me amarrar em tuas pernas.
Sim ou não. É agora. O grande problema é o pânico de responder na hora.
Mas não agir é não me escolher. Não decidir é decidir também. É dizer não fazendo o sim.
Eu espero o sim do sim ou o não do não. A grande certeza para vivermos tranquilamente nossas pequenas dúvidas.
domingo, 3 de março de 2013
Religião e espiritualidade
O mundo religioso é mestre em fazer a cabeça
dos outros. Por isso cada vez mais me convenço que o Cristianismo
implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas
categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.A religião está baseada nos ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais da Bíblia e de cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para o céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra à prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar o favor de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância.
A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Yahweh, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna e devotos do Buda, e por aí vai.
E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos outros, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os outros deixem de existir enquanto outros se tornem iguais a nós, ou pelo extermínio através do assassinato em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com d minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação, sua práxis, em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade, comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproxima os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se deem as mãos no mundo da busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero, e inclusive religião.
René Kivitz, pastor evangélico
domingo, 24 de fevereiro de 2013
Salve Jovens
Livremente
inspirado no texto base da Campanha da Fraternidade 2013 e nas homenagens
oferecidas aos jovens que morreram tragicamente na cidade de Santa Maria/RS.
Salvem os jovens que levam uma vida desregrada por não
conhecerem a palavra de Deus.
Salvem os jovens universitários da mídia torpe que
visitam suas moradias no momento que festejam e são percebidos como
baderneiros.
Salvem os jovens que tem sua vida interrompida pela
negligência de pessoas mal instruídas.
Salvem os jovens das drogas que roubam sua verdade, sua
autonomia e sua realidade.
Salvem os jovens da opressão que rouba seu propósito de
vida, seus ideais e sua determinação.
Salvem os jovens das cotas que subestimam sua sabedoria e
intelectualidade.
Salvem os jovens que assistem com terror sua família
acabar por falta de amor, compreensão e companheirismo.
Salvem os jovens que desistem de viver arruinados pela
depressão.
Salvem os jovens dos rótulos impostos pela sociedade pelo
sotaque que usam, pela comunidade onde moram e pela cor de pele que possuem.
Salvem os jovens que abandonam a casa dos pais e a Casa
de Deus.
Salvem os jovens do sistema de educação que aprisiona e que
não ensina questionar ofuscando seu saber.
Salvem os jovens da violência física, verbal e moral.
Salvem os jovens que tem a vida perdida pela bala perdida.
Salvem os jovens que tem o corpo vendido e seus valores
esquecidos.
Salvem os jovens que confundem liberdade com
libertinagem.
Salvem os jovens que tem a mente corrompida pela mídia
deturpadora.
Salvem os jovens que se abdicam de responsabilidade e das
tomadas de decisões.
Salvem os jovens que optam por uma vida pródiga e
inconseqüente.
Salve os jovens de tudo e todos que os influenciam a se
afastarem do amor de Jesus.
Cristiano Rabelo Marques
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