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quarta-feira, 21 de novembro de 2012
domingo, 11 de novembro de 2012
ANO QUE VEM
Ano que vem eu faço
Ano que vem eu estudo
Ano que vem eu abraço
Ano que vem eu mudo
Por que não agora?
Ano que vem eu amo
No ano que vem eu não choro
Ano que vem eu sonho
No ano que vem eu não imploro
Porque não agora?
O tempo que vem, do meu alcance está longe
De relance o segundo que vem, é esse que venho
É esse que tenho
É esse que tenho
É a minha chance
Ei, o meu tempo está no fim aqui
Os ponteiros não tem avessos, tão
pouco recomeço
Ei, são 365, juro eu não minto
Não quero esperar o ano que vem
Mas não sei o que será de mim se o
ano passar
E você não passar
E você não ficar
E você não me amar
Ano que vem eu quero
Ano que vem eu busco, te busco
No ano que vem me entrego
No ano que vem eu luto
Por que não agora?
(Cristiano Rabelo)
Por que não agora?
(Cristiano Rabelo)
terça-feira, 9 de outubro de 2012
Azar no jogo, sorte no amor?
"Ando precisando levar a vida como o 'show do
milhão': arriscar e ganhar tudo, arriscar e perder tudo. E já usei todas
as placas, todos os universitários, todas as cartas e todos os pulos.
Acho que devo parar e me contentar com tudo que já vivi e senti próximo
de ti. Quem sabe após a desistência do jogo, vem a recompensa"CristianoRabelo
segunda-feira, 13 de agosto de 2012
A MELHOR VINGANÇA
Vingança
é uma arte, o refinamento da carência. Quem procura se vingar do ex ou
da ex, na verdade, não cansou de brigar. Não terminou de argumentar.
Vingança é discutir o relacionamento sozinho, é discutir o
relacionamento à distância, é dedicar o dia inteiro, às vezes a vida
inteira, a arquitetar uma forma de chamar a atenção do amante que negou o
ouvido.
O luto é destinado aos
que amam amar. Vinga-se a pessoa que odeia amar, odeia continuar amando.
É o encontro do mais extremo ódio com o mais extremo amor. A união de
dois terrorismos.
Vinga-se aquele que acredita que deu mais do que recebeu e que se enxerga ludibriado. Aquele que, durante a relação, cobrava em segredo tudo o que oferecia, listava presentes e gestos. A vingança é o juízo final do avarento amoroso.
Indica também prepotência. O vingador se enxerga superior ao vingado, mais experiente e sábio. Acha que está ensinando seu antigo par. Encarna a figura de professor repreendendo o erro do aluno. Assim como não sofre em vão, somente se humilha para humilhar o outro. Todo sofrimento é arrogante, debitado na conta do desafeto.
O vingador cobiça a última palavra pois não aceita que alguém pense o pior dele. Planeja castigar as supostas distorções e intimidar as possíveis confissões de sua intimidade. O vingador vive por hipóteses. Não entendeu que a última palavra não existe, é uma desculpa para mandar.
A vingança é o mais paradoxal dos atos: um sentimento inteligente em mãos burras e desgovernadas; uma pressa que exige longa paciência e dissimulação. Requer as mais contraditórias atitudes: sangue frio de alguém com sangue quente; calar-se apesar da exagerada vontade de falar.
A vingança fracassa pela ânsia de fama do seu autor. Quem busca se vingar pretende que o outro saiba que foi ele, que não tenha nenhuma dúvida. Deseja dar o troco beijando a boca, olhando nos olhos. Conclui que não adianta nada uma vingança sem remetente. E peca pela ambição, erra ao se expor, porque a represália aguda e exitosa esconde o criminoso para a perfeição do crime; deve ser anônima, gerando a desconfiança, mas não entregando totalmente o seu mentor.
Não conheço vingança perfeita. Não se vingar talvez seja a melhor vingança. Fazer esperar uma resposta que nunca virá.
O luto é destinado aos
que amam amar. Vinga-se a pessoa que odeia amar, odeia continuar amando.
É o encontro do mais extremo ódio com o mais extremo amor. A união de
dois terrorismos.Vinga-se aquele que acredita que deu mais do que recebeu e que se enxerga ludibriado. Aquele que, durante a relação, cobrava em segredo tudo o que oferecia, listava presentes e gestos. A vingança é o juízo final do avarento amoroso.
Indica também prepotência. O vingador se enxerga superior ao vingado, mais experiente e sábio. Acha que está ensinando seu antigo par. Encarna a figura de professor repreendendo o erro do aluno. Assim como não sofre em vão, somente se humilha para humilhar o outro. Todo sofrimento é arrogante, debitado na conta do desafeto.
O vingador cobiça a última palavra pois não aceita que alguém pense o pior dele. Planeja castigar as supostas distorções e intimidar as possíveis confissões de sua intimidade. O vingador vive por hipóteses. Não entendeu que a última palavra não existe, é uma desculpa para mandar.
A vingança é o mais paradoxal dos atos: um sentimento inteligente em mãos burras e desgovernadas; uma pressa que exige longa paciência e dissimulação. Requer as mais contraditórias atitudes: sangue frio de alguém com sangue quente; calar-se apesar da exagerada vontade de falar.
A vingança fracassa pela ânsia de fama do seu autor. Quem busca se vingar pretende que o outro saiba que foi ele, que não tenha nenhuma dúvida. Deseja dar o troco beijando a boca, olhando nos olhos. Conclui que não adianta nada uma vingança sem remetente. E peca pela ambição, erra ao se expor, porque a represália aguda e exitosa esconde o criminoso para a perfeição do crime; deve ser anônima, gerando a desconfiança, mas não entregando totalmente o seu mentor.
Não conheço vingança perfeita. Não se vingar talvez seja a melhor vingança. Fazer esperar uma resposta que nunca virá.
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
INJUSTIÇA
Não confie na frase de sua avó, de sua mãe, de sua irmã de que um dia encontrará um homem que você merece.
Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.
É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.
O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.
É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.
Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.
FABRÍCIO CARPINEJAR (AI MEU DEUS, AI MEU JESUS)
Não existe justiça no amor.
O amor não é censo, não é matemática, não é senso de medida, não é socialismo.
É o mais completo desequilíbrio. Ama-se logo quem a gente odiava, quem a gente provocava, quem a gente debochava. Exatamente o nosso avesso, o nosso contrário, a nossa negação.
O amor não é democrático, não é optar e gostar, não é promoção, não é prêmio de bom comportamento.
O melhor para você é o pior. Aquele que você escolhe infelizmente não tem química, não dura nem uma hora. O pior para você é o melhor. Aquele de quem você procura distância é que se aproxima e não larga sua boca.
Amor é engolir de volta os conselhos dados às amigas.
É viver em crise: ou por não merecer a companhia ou por não se merecer.
Amor é ironia. Largará tudo — profissão, cidade, família — e não será suficiente. Aceitará tudo — filhos problemáticos, horários quebrados, ex histérica — e não será suficiente.
Não se apaixonará pela pessoa ideal, mas por aquela que não conseguirá se separar. A convivência é apenas o fracasso da despedida. O beijo é apenas a incompetência do aceno.
Amar talvez seja surdez, um dos dois não foi embora, só isso; ele não ouviu o fora e ficou parado, besta, ouvindo seus olhos.
Amor é contravenção. Buscará um terrorista somente para você. Pedirá exclusividade, vida secreta, pacto de sangue, esconderijo no quarto. Apagará o mundo dele, terá inveja de suas velhas amizades, de suas novas amizades, cerceará o sujeito com perguntas, ameaçará o sujeito com gentilezas, reclamará por mais espaço quando ele já loteou o invisível.
Ninguém que ama percebe que exige demais; afirmará que ainda é pouco, afirmará que a cobrança é necessária. Deseja-se desculpa a qualquer momento, perdão a qualquer ruído.
Amar não tem igualdade, é populismo, é assistencialismo, é querer ser beneficiado acima de todos, é ser corrompido pela predileção, corroído pelo favoritismo. É não fazer outra coisa senão esperar algum mimo, algum abraço, algum sentido.
Amor não tem saída: reclama-se da rotina ou quando ele está diferente. É censura (Por que você falou aquilo?), é ditadura (Você não devia ter feito aquilo!). É discutir a noite inteira para corrigir uma palavra áspera, discutir metade da manhã até estacionar o silêncio.
Amor é uma injustiça, minha filha. Uma monstruosidade.
Você mentirá várias vezes que nunca amará ele de novo e sempre amará, absolutamente porque não tem nenhum controle sobre o amor.
FABRÍCIO CARPINEJAR (AI MEU DEUS, AI MEU JESUS)
sexta-feira, 27 de julho de 2012
HOJE É DIA DE FAXINA
Hoje é dia de faxina
Hoje é dia de lavar o alpendre
Deixar a água escorrer pelo ralo
Até virar a esquina
Hoje é dia de faxina
Hoje é dia de secar os olhos
Dia de estancar com os próprios punhos
A água com sal que desidrata
Mas que também hidrata meus poros
Hoje é dia de faxina
Dia de aspirar o pó do meu quarto
Pó que não me deixar respirar meu descanso
Hoje é dia de faxina
Dia de aspirar a luz,oxigênio
Dia de voltar a realizar fotossíntese
Emanar claridade
Hoje é dia de faxina
Dia de lavar a roupa suja
Se faltar na dispensa
Esfrego no tanque se for preciso.
Hoje é dia de faxina
Pendurar a roupa pra secar
Se de tudo, ainda
ficaram manchas
Vestirei assim mesmo
Por muito tempo já vesti remendos
Dos males, o pior
Hoje é dia de faxina
Dia de encerar o chão de madeira
Renovar o brilho do marrom avermelhado
Camuflar por tempo indeterminado
Princípios de carunchos e do opaco
Hoje é dia faxina
Destruir a obstrução das artérias
Para o melhor pulsar do meu coração
Parar o melhor pulsar da minha vida
Hoje é dia de faxina
Deixar tudo pronto e limpo, um brinco
Para chegar e se adentrar a imundície
Ou não...
CRISTIANO RABELO
CRISTIANO RABELO
sábado, 21 de julho de 2012
Migalhas
[...]" Eu não estou mais cabendo na minha casa, não estou mais cabendo dentro de mim, dentro do meu corpo, dos meus pensamentos, eu perdi minha paz. Eu perdi minha concentração , eu perdi minha calma e eu preciso operar isso e continuar vivendo. Eu preciso saber se estou sozinho ou acompanhado. Preciso saber se é ilusão, delírio, história que eu inventei... [...] Eu queria que você soubesse que mesmo que não de em nada, já valeu! Já valeu a pena por tudo que eu experimentei assim... assim sozinho. Solidão dos meus pensamentos, dos meus desejos. E tudo isso que estou sentindo fica preso assim por um fio de esperança... [...] E é muito bom, mas eu preciso me libertar disso, preciso me livrar dessa angústia que está me matando, mesmo que eu sofra o resto da vida por esse sentimento que tem sido meu bem, mas que também tem sido o meu mal" [...]
Manuel Carlos
Manuel Carlos
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