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domingo, 12 de setembro de 2010

NÃO SABEMOS NAMORAR


Agora dei para mascar chiclete com sabor melancia.
Deveria esconder esse detalhe. Mórbido para quem atravessou os 36 anos.
Mas vejo o quanto escondo o romantismo debaixo da mordida. Sou açucarado. Meu beijo é diabético. Logo eu que passo uma imagem seca de bolacha de sal.
Vá lá, não vou sorrir para mim de noite ou pedir a benção para os apaixonados, mas não acredito nesta história de acomodação no romance. Que de uma hora para outra cansamos. Não é cansaço, não é que paramos de seduzir porque conquistamos e que não precisamos mais arrebatar com surpresas. Não é que estamos seguros e não arriscamos mais. Não é o conforto ou o domínio territorial.
Senão começaremos a acreditar que existe cupido. E cupido é o mais cafona dos anjos. Quem começa uma relação com cupido termina na fossa repetindo os erros ortográficos das canções sertanejas.
Confio que há gente que não saiba namorar. Não sabe namorar, e pronto. Supõe que é instintivo, natural, que é beijar, abraçar e os oceanos transportam a espuma. Que basta amar e as relações funcionam.
Mas as relações queimam pelo pouco uso. A eletricidade enferruja.
Há gente que jura que namorar é cumprir um expediente depois do expediente: jantar, conversar e transar. Há gente que não quer namorar, e sim uma amizade para dividir o que se é. Sem tensão. Sem cobrança. Sem nervosismo.
Que tudo está definido e seguro para o final do ano, que não pode ser perdido no próximo minuto. Eu acabei de perder o próximo minuto.
Namoro é ambição. É um final de semana a cada dia. É uma delicadeza insuportável, antecipar os movimentos e agradar quando não se espera. Gentileza em cima de gentileza, infindável. Um cuidado para não magoar com aviso e pergunta, com aquela educação concedida a gestantes e idosos.
Namorar requer uma atenção absoluta. E não reclame: amar pode ser para toda a vida quando oferecemos toda a nossa vida.
Tem que se preparar, ceder, abrir espaço, oferecer, renunciar. A inquietação nasce da paciência. A criatividade nasce de uma porta fechada.
É um extremismo terrorista. Explodiremos civis.
Durante algum desentendimento, mobiliza-se a genealogia da imaginação para escandalizar de novo. Carro de som, helicóptero, arranjos suicidas pela janela. Não é permitido ficar quieto, parado, para conversar a respeito. A conversa demora.

No namoro, não existe como ser egoísta. Egoísmo se deixa no JK. É pensar pelo outro, com o outro, como o outro.
É ter uma lista de compra de mercado na ponta da língua, junto com o chiclete de melancia: qual a pasta de dente que ela usa, o xampu, o condicionador, o azeite, o leite que toma, o suco... Desconhecer a geladeira da namorada é passagem direta para o congelador.
É entrar numa livraria e pensar no livro que ela vai gostar, é entrar numa loja e pensar um vaso que combinaria com sua sala, é entrar no cemitério e sonhar com um mausoléu para a família, sim, planejar a morte junto - nada mais romântico.
É entrar em si mesmo e lustrar as memórias mais distantes para parecer orfão antes de sua chegada.
Agora dei para mascar a minha boca.

domingo, 29 de agosto de 2010

Dias de sol, noites de frio


Dias de sol
Noites com frio
Pasto cor pardo
Pasto cor de carvão
Céu cinzento
Não de chuva
Mas sim de poluição

http://www.youtube.com/watch?v=XbkBp04ykQg

terça-feira, 27 de julho de 2010

Quando...


Eu sou um idiota. Um pasmado. Uma formiga. Um besta. Um palhaço. Eu me humilho. Rastejo. Sofro e não dói mais. Eu não falo. Eu não páro. Eu amo. Eu sou/estou doente. Eu preciso de ajuda. Eu tenho água incontida nos olhos. Eu só quero gostar e ser gostado. Está dificil.

"Quando eu vou parar e olhar pra mim? Ficar de fora e olhar por dentro... quando eu parar pra ser feliz, que hora? Se não dá tempo...."

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Seu insucesso na vida íntima me enobrece.


Em uma manifestação humilhante do meu inconsciente/consciente eu faço figas pra dar errado os relacionamentos íntimos de quem eu amo que o mesmo não gosta de mim, melhor dizendo, não me enxerga com os mesmos olhos que eu enxergo-o. Dentre todas as minhas compulsividades do TOC, começo a contabilizar há quanto tempo que essa pessoa não pega ninguém, há quanto tempo ela não se entrega pra alguém e quanto mais tempo ela passa na seca, mais eu me divirto, me alivio, mais eu dou Graças a Deus.
Acontece que isso não vai durar para sempre, chegará um dia em que ela encontrará um novo ficante, namorado, um amor e eu vou me recolher para a minha insignificancia e abaixarei a crista dos meus pensamentos mesquinhos, tolos e de mal-amado.Sempre quando aparece uma possibilidade de ela envolver-se com alguem intimamente me vem a angustia, o aperto no peito, o desespero. É uma dor que passou a ser indolor, ela vem com uma certa frequencia que eu já não sinto mais nada, meu organismo acostumou com o meu ciume. Sempre ouvi falar de ciume, mas nunca o havia sentido com tanta intensidade. Só posso dizer que ele me corrói por dentro como traças a procura de tecido velho e sujo, assim como se tornou minha alma: suja e deplorável. E eu vou empurrando com a barriga, a solidão dela é a maneira que tenho pra me sentir como o amante dela e isso me basta, é como se eu esquecesse o que eu aprendi nas escolas da vida que ninguém pode ser feliz sozinho. E que sorte que essa pessoa que eu amo é tão imatura, devagar, lerdo, pasmado pra se investir em um relacionamento íntimo. Isso me felicita. E assim vou me contentando com as migalhas, com o estar perto e não poder estar "bem mais que perto".Há um bom tempo essa pessoa pra quem eu entrego a minha vida tem vivido só no "quase deu certo", mas eu tenho que me preparar quando ela conseguir arrumar alguém. Enfim, enquanto ela vai tentando eu vou torcendo:

"Não vai dar certo!"

"Se ela não fica comigo, com ninguem ficará"

e etc

E não é que dá certo?! HAHAHAHAHAHA

Mas tem muito mais coisas por detrás disso que eu escrevi aqui, pode parecer tanta bobagem pra voce que leu, tão fútil, tão medíocre e é mesmo assim, mas isso cabe a uma outra postagem aqui.

Cristiano Rabelo

"O amor não poderia morrer, ele não tem fim. Nós que criamos a despedida por não suportar sua longevidade. Por invejar que ele seja maior do que a nossa vida. " Fabricio Carpinejar

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Preenchendo espaços


Tudo começou na vida intra-uterina. Aquele marasmo onde só dormíamos em um espaço um tanto que desconfortável recebendo os nutrientes mandados pela nossa mãe. Mas nós crescemos, aquele espaço foi tornando-se minúsculo pra nós e viemos necessitados de vir ao mundo. A claridade nos assusta, nos faz cerrar os olhos, não sabemos como nos expressar, só sabemos chorar. Até que nos vem nossa primeira relação de afeto, acalanto e amparo: a mãe. É por meio de nossa mãe que começa a ser desenvolvido em nós nossa primeira característica de um ser social e cabe a ela a cada dia tornar isso maior com gestos, contato de pele, palavras e carinho.
Uma das necessidades do ser humano é ser alguém sociável e ele vive em busca de suprir toda essa carência que é instintiva. O homem precisa do outro para viver, amar, dividir emoções, sociabilizar, desenvolver-se e crescer na sabedoria .
Uma relação de afeto é a energia que revela a sensibilidade interna da pessoa frente uma satisfação ou algo totalmente frustrante de suas necessidades, portanto a necessidade é ponto de partida da afetividade, ou seja, o homem vem em busca constante de repor essa falta que lhe toma conta e que lhe afasta de sua completude. Mas há momentos em nossas vidas que vivenciamos a perda de algo ou alguém como por exemplo a morte de uma pessoa querida ou a perda de uma criança em período gestacional. Essa dor é única e insubstituível que somente o tempo poderá apagar ou cicatrizar. E são nesses momentos que percebemos o quão é indispensável a presença de um amigo, alguém que nos conforte com pequenos gestos e valiosos, alguém que respeite a nossa dor como um abraço singelo.
Quando transferimos afeto a alguém, logo as emoções são acionadas. As nossas emoções são resultadas dessa resposta afetiva vinda de alguém que gostamos que resulta dessa sensação de satisfação plena ou também quando a censura age e frustra todas nossas necessidades e impulsos. Falamos de afeto na tentativa de tornar típico essa explosão que fica incontida de emoções ou sentimentos como medo, alegria, angustia, paixão, ira, etc. Essas nossas manifestações são consideradas normais desde que a pessoa que as experimente mantenha a lucidez de consciência, o controle de sua conduta e que a intensidade com as demonstrações de afeto fique situada nos limites da normalidade.
À você leitor, venho através dessas poucas linhas concluir a minha mensagem de relacionamento afetivo. É essencial para a engrenagem da nossa historia, o relacionamento inter-pessoal, em outras palavras, o quanto é importante “fazer uma social”. É humanamente impossível viver sozinho, durante toda passagem da nossa vida precisamos do outro. O outro que nos completa e que nos basta; o outro que nos leva e que nos acompanha; o outro que nos compreende e que nos ama. O homem encontra a felicidade preenchendo suas lacunas com a ciência e o amor universal a favor do futuro e com esses elementos implicados estará feliz.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Toda manhã


TODA MANHÃ
do livro "O Amor Esquece de Começar"
Fabrício Carpinejar
Adaptação: Cristiano Rabelo

A proxima postagem vai pra você que tem um porta-retrato do filho ao lado do computador, com folhas atoladas na segunda gaveta, que não acredita em nada mais para não forçar a esperança a acreditar em você, que entrou neste blog talvez por acidente ou por curiosidade, que mal passou os olhos pela primeira página e viu que não era com você, peço que fique mais um pouco para descobrir realmente que não é com você. Nada disso é com você; e tudo pode vir a ser. É com você, que nunca está satisfeita com a altura da cadeira, mas também não sabe como girar a manivela, que diminui os passos para escutar o bambu plagiando a chuva, que falo.

A você, que gostaria de ser mais percebida, mais elogiada, mais viva, que ninguém nota o vestido novo, o cabelo cortado, que chega ao trabalho pensando que causará outra impressão, e o espaço vai repetindo o dia anterior.

A você, que cuidou dos irmãos pequenos, que comprava cigarro para o pai e leite para a mãe, que teve que pular a janela para sair com os amigos.

A você que não está satisfeita com o emprego, com os hábitos, com o número das calças, com o guarda-roupa, com o guarda-chuva, que espera as próximas férias como um domingo prolongado, que gostaria de dormir mais e ser penteada pelo vento antes de acordar.


A você, cheia de expectativas, que se diplomou e pensou que tudo estaria resolvido, que se casou e pensou que tudo então estava pronto, que teve um filho e pensou que tudo estava chegando. Não a conheço, muito menos sei o que lhe aconteceu na infância, qual foi o primeiro namorado, a primeira transa, o primeiro choque, o primeiro porre, o primeiro do primeiro amor, o primeiro do último amor; é justamente a você que começo a escrever dentro de sua desistência.

A você, que nunca pensou que o riso também precisa de aquecimento para não se machucar em rugas, que deseja ler de manhã e viver o que se lê de tarde, e que não lê de manhã e nem vive de tarde, e sobra a noite para fazer de noite.


A você, que é uma promessa de cheiro, de chá, que coloca perfume nos pulsos e no pescoço, que tem receio de chorar onde não se chora, de falar o que não se deveria, que se controla e se autocensura para não se entregar.

A você, que passou a vida a disciplinar o desespero, que segura a bolsa perto do quadril, que é suave para olhar de canto.


A você, que está aqui e não se resolve, porque não é aqui que está, mas dentro daquilo que procura. Alguns procuram um endereço; outros, um sentido.

A você, que escuta o sangue e não entende.


A você, que quer explicações para não se contentar com relatórios, para não se apaziguar em brincadeiras, que não usa relógio para não ser infiel à aliança, que repara as laranjas germinando abelhas na hora do almoço.

A você, que não duvida ao assinar o nome, mas troca invariavelmente a data.


A você, que em toda manhã regressa de seu mais fundo e ninguém repara o seu esforço para subir à superfície.

A você, que parece sombra quando a água passa, que parece água quando a sombra senta; a você quero dizer: eu desapareço em você.

domingo, 2 de maio de 2010

Será que ela existe mesmo?


Próxima parada: Ribeirao Preto
22hrs - Centro de eventos Taiwan
Ana Carolina - Turne N9VE

1 Que de danem os nós
2 10 minutos
3 Hoje eu to sozinha
4 Encostar na tua
5 Era
6 Resta
7 2 bicudos
8 8 estórias
9 Entreolhares
10 Tolerancia
11 Traição
12 Mais que a mim
13 Corredores
14 Dentro/O avesso dos ponteiros/Aqui/A canção tocou na hora errada/É isso aí
15 Eu não quero saber mais dela
16 Tá rindo,é?
17 Ela é bamba
18 Essa mulher
19 Bom dia
20 Odeio/Eu nunca te amei idiota
21 O Cristo de madeira/Construção/Toda manhã
22 Rosas
23 Elevador
24 Garganta